Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O deputado federal Amom Mandel (Cidadania) solicitou a federalização das investigações sobre a organização criminosa alvo da Operação Erga Omnes. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 24/2, por meio de suas redes sociais.
O pedido também foi formalizado em ofício, enviado às autoridades competentes. Segundo o parlamentar, os casos investigados ultrapassam a competência estadual e exigem atuação em âmbito federal.
“Considerando a presença da organização em ao menos sete estados do Brasil, além da origem transfronteiriça dos entorpecentes, principalmente entre Brasil, Peru e Colômbia, é necessária a atuação federal”, afirmou.
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Suspeitas de infiltração no poder público
Amom Mandel informou que protocolou, nesta semana, um pedido junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Ministério Público Federal (MPF) para que as investigações sobre a suspeita de infiltração de organizações criminosas na Prefeitura de Manaus sejam federalizadas.
“O prefeito da capital tem suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho e outras organizações criminosas, tanto relacionadas ao tráfico de drogas quanto a outras questões que não se limitam ao tráfico”, declarou o parlamentar.
Em suas redes sociais, Mandel ressaltou que o pedido de federalização não indica desconfiança quanto à atuação das autoridades estaduais, e elogiou o trabalho da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), especialmente no âmbito da Operação Erga Omnes.
“Pelo contrário, eles estão dando um show de atuação”, disse.
O deputado argumentou que a federalização é necessária devido ao poder e à influência dos envolvidos, defendendo uma atuação conjunta entre órgãos estaduais e federais para garantir independência e profundidade nas operações. Ele destacou a importância da parceria entre Ministério Público do Estado, Ministério Público Federal, Polícia Civil e Polícia Federal.
“Se não federalizarmos, não vamos conseguir vencer essa organização criminosa”, alertou.
Segundo Mandel, há indícios de que a organização criminosa teria se infiltrado na Prefeitura de Manaus e possivelmente em outras esferas do poder público estadual.
“Pelo que tudo indica, o grupo se instalou na Prefeitura de Manaus e possivelmente também no governo do Estado”, afirmou.
Operação Erga Omnes
A Operação Erga Omnes foi deflagrada na sexta-feira, 20, e investigou um grupo que utilizava empresas de fachada para movimentar recursos e dar suporte à comercialização de drogas em diferentes regiões do país. As investigações apontam que o esquema contava com a colaboração de pessoas ligadas à administração pública.
Entre os alvos está Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que recebeu entre 2021 e 2025 pelo menos R$ 586.463,85 em remuneração líquida da Prefeitura. Ela foi presa na sexta-feira, 20.
De acordo com o delegado Marcelo Martins, ex-assessores com atuação na área da advocacia e servidores públicos em setores estratégicos teriam participado do esquema, facilitando o acesso da organização a informações e estruturas institucionais.
As investigações ainda apontam que Allan Kleber Bezerra Lima mantinha contato próximo com esses colaboradores e exercia influência em diversos órgãos, reforçando a sensação de impunidade dentro do grupo. As informações constam na análise de dados extraídos de um celular apreendido durante a operação.






