Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As buscas pelos desaparecidos do naufrágio da lancha de passageiros Lima de Abreu XV continuam na manhã deste sábado, 14/2, na região do Encontro das Águas, em Manaus. Até o momento, duas mortes foram confirmadas e sete pessoas seguem desaparecidas.
A ação conta com 25 mergulhadores e seis embarcações atuando diretamente na área do acidente, além do apoio de outros 20 agentes e duas lanchas da Defesa Civil.
A embarcação havia saído de Manaus na tarde de sexta-feira, 13, com destino ao município de Nova Olinda do Norte, mas afundou ainda nas proximidades da capital, em uma área de intenso tráfego de barcos de linha e embarcações turísticas.
71 pessoas foram resgatadas com vida
De acordo com o balanço oficial, 71 pessoas foram retiradas do rio logo após o naufrágio. Muitas apresentavam sinais de cansaço extremo, princípio de hipotermia e ingestão de água.
Os sobreviventes foram levados ao Porto da Ceasa, transformado em base de triagem, onde receberam atendimento antes de serem liberados ou encaminhados para unidades hospitalares.
Entre as vítimas fatais estão uma criança de aproximadamente três anos e uma jovem de 22 anos. A criança chegou a ser resgatada, mas morreu após dar entrada no Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).
Relatos apontam excesso de velocidade e falta de coletes
Sobreviventes relataram momentos de pânico após o acidente. Alguns passageiros afirmaram que a lancha estaria em alta velocidade e possivelmente disputando corrida com outra embarcação.
Eles também afirmaram que o barco estava lotado e que não havia coletes salva-vidas suficientes para todos os ocupantes.
O comandante da embarcação foi conduzido para prestar esclarecimentos, e um inquérito deverá apontar se houve falha humana, problema mecânico ou influência das condições de navegação. A investigação oficial ficará sob responsabilidade da Marinha do Brasil.
Movimento no porto chama atenção
Na manhã deste sábado, o repórter Keynes Breves esteve na área da Manaus Moderna, atrás do Mercado Adolpho Lisboa, nas proximidades da chamada “Balsa Amarela”, de onde partiu a lancha antes do naufrágio.
O local, que é um dos principais pontos de embarque para o interior do Amazonas, registrava intensa movimentação de passageiros e turistas. No entanto, durante as primeiras horas da manhã, não havia fiscalização visível de órgãos como Arsepam, Marinha ou Capitania dos Portos.
A situação chama atenção porque, nas redes sociais, a Arsepam informou que iniciou na sexta-feira, 13, a Operação Viagem Segura – Carnaval na Floresta 2026, com reforço na fiscalização do transporte intermunicipal rodoviário e hidroviário.
A operação segue até o dia 19 de fevereiro, com previsão de 1.250 fiscalizações e cerca de 23 mil passageiros utilizando os serviços regulados pela agência durante o período carnavalesco.
A reportagem entrou em contato com a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (ARSEPAM) para solicitar um posicionamento oficial sobre as ações de fiscalização em embarcações que operam no estado. Até o fechamento desta matéria, a nota não havia sido encaminhada. O espaço segue aberto.
Força-tarefa foi mobilizada após o acidente
O Governo do Amazonas montou uma força-tarefa para o resgate, com equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar, Secretaria de Segurança, assistência social e saúde.
A operação contou com lanchas, drones, ambulâncias, helicóptero e apoio da Capitania dos Portos. Os sobreviventes foram desembarcados ainda na noite de sexta-feira no Porto Privatizado, no Centro de Manaus.
Familiares receberam atendimento psicológico e social, enquanto a rede hospitalar estadual foi colocada em prontidão. Quatro adultos precisaram de atendimento médico; dois permanecem em observação e outros dois já receberam alta.






