Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A campanha Fevereiro Roxo chama atenção para doenças crônicas sem cura, mas que têm tratamento, como o Alzheimer. A iniciativa reforça a importância da prevenção, da identificação precoce dos sintomas e do cuidado constante com pacientes e familiares.
O Alzheimer é uma doença progressiva que afeta a memória, o comportamento e a autonomia nas atividades do dia a dia. Como a forma mais comum de demência, provoca mudanças graduais na capacidade cognitiva e funcional, exigindo acompanhamento médico e suporte contínuo.
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Sintomas que não podem ser ignorados
A neurocientista e neuropsicóloga Dra. Conceição Barbosa explica que os sinais iniciais incluem perda de memória recente, repetição de perguntas, desorientação no tempo e no espaço, dificuldade em encontrar palavras e alterações de humor ou personalidade.
“Ao contrário do envelhecimento natural, os sintomas do Alzheimer interferem diretamente na rotina e nas atividades cotidianas, exigindo atenção e cuidados especiais dos familiares”, afirma a especialista.

Em estágios mais avançados, o paciente pode apresentar demência severa, com perda de controle sobre ações e respostas a estímulos.
“As pesquisas atuais focam na estabilização dos sintomas. Apesar dos esforços, ainda não existe cura nem forma de reconstruir os neurônios danificados pelo Alzheimer”, explica a Dra. Conceição.
Hábitos que ajudam a prevenir
Segundo a especialista, algumas medidas podem manter o cérebro ativo e retardar problemas cognitivos:
- Estimulação cognitiva: leitura, jogos, aprendizado de novas habilidades, música e dança;
- Alimentação saudável e hidratação adequada;
- Controle de fatores de risco cardiovascular;
- Sono regular e gerenciamento do estresse;
- Vida social ativa e prevenção do isolamento;
- Evitar álcool e cigarro;
- Exames de saúde periódicos.
“Cuidar da mente e do corpo, manter uma alimentação equilibrada e socializar são pilares para um envelhecimento saudável”, reforça.
O impacto na vida familiar
Érika Lima, 42, produtora de eventos, conta a experiência com o Alzheimer do pai, que desenvolveu a doença após sofrer um trauma físico aos 68 anos. Seis meses após receber alta hospitalar, veio o diagnóstico de Alzheimer.
“É desesperador saber que é uma doença degenerativa e sem cura. O maior desafio é lidar com a evolução diária e os altos e baixos da condição”, relata Érika.
Ela destaca que os cuidados são compartilhados com a irmã e uma cuidadora, adaptando a rotina conforme a lucidez do pai: “Alguns dias ele está lúcido e interage normalmente; outros, não. É um aprendizado constante”, afirma.
Apoio psicológico é fundamental
No início, Érika buscou ajuda psicológica para lidar com o impacto emocional. “Cheguei a gritar com ele por não compreender a doença. Percebi que se não cuidasse de mim, não conseguiria ajudá-lo”, conta.
Dados alarmantes sobre o Alzheimer
Segundo o Relatório Nacional sobre a Demência (2024), o desconhecimento sobre a doença atrasa a detecção precoce. Em Manaus, cerca de 70% das pessoas com 50 anos ou mais desconhecem o que é demência, e muitos acreditam que se trata de um processo natural do envelhecimento.






