Redação Rios
MANAUS (AM) – Um vídeo publicado nas redes sociais pelo piloto de jatos particulares Mauro Caputti, no sábado, 31/1, reúne relatos sobre irregularidades envolvendo voos fretados, pagamentos em dinheiro em espécie e o transporte de empresários e autoridades. Entre as declarações, o piloto menciona voos que, segundo ele, teriam atendido agendas do governo do Amazonas.
“Durante meses eu fui pago para pilotar um avião, mas o que eu descobri foi uma janela para a corrupção do nosso sistema. Meu nome é Mauro Caputti e eu sou piloto de jatos particulares há 15 anos”, afirma logo no início do vídeo.
Segundo o piloto, ele foi contratado em novembro de 2023 pela empresa Táxi Aéreo Piracicaba e, ao longo do período em que trabalhou para a companhia, passou a presenciar situações que levantaram questionamentos sobre a forma de pagamento dos voos e o perfil de passageiros transportados.
“Em diversos momentos houve pagamentos feitos em dinheiro e em espécie. Em alguns casos eu presenciei, em outros eu ouvi diretamente do dono da empresa”, relata. “Esses valores eram, às vezes, chamados ironicamente de ‘cargas perigosas’”, acrescenta.
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Menção direta ao Amazonas
Entre os relatos apresentados no vídeo, Mauro Caputti afirma que parte dos voos pagos em dinheiro teria sido utilizada para atender agendas de governos estaduais, entre eles o Amazonas.
“Houveram pagamentos feitos por voos que atendiam a agendas do governo do Amazonas e de Alagoas”, diz o piloto.
Ele não cita, no entanto, nomes de autoridades, secretarias, contratos, datas ou rotas específicas, nem apresenta documentos que comprovem as afirmações. O piloto ressalta que seu relato é baseado no que viveu e ouviu durante o período em que atuou na empresa.
Empresários citados e referência ao PCC
No vídeo, Mauro também afirma que pilotou um jato Gulfstream G150, de matrícula PR-SMG, utilizado por empresários identificados por ele como Beto e Primo, que atuariam no setor de combustíveis e manteriam relação com o fundo REAG.
“Foi o próprio gestor da operação quem me disse que os empresários para os quais eu voava eram apontados pela Polícia Federal como lideranças do PCC, envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro”, afirma o piloto.
Segundo ele, após a exibição de uma reportagem do programa Fantástico, em maio de 2024, que citava a relação desses nomes com o crime organizado, os voos teriam se intensificado, especialmente com destino a Brasília.
Transporte de dinheiro em espécie
Mauro Caputti relata ainda um episódio ocorrido em agosto de 2024, antes de um voo para Brasília.
“No dia 6 de agosto, antes de um voo para Brasília, eu recebi uma sacola de papel. Me disseram que eu precisava ter cuidado porque ali tinha dinheiro”, conta. “Essa sacola saiu de São Paulo, mas não voltou”, completa.
Ele afirma que informações sobre o destino do dinheiro teriam sido repassadas a ele em conversas internas, sem que houvesse apresentação de comprovantes ou registros formais.
Pedido por apuração
Ao tornar o conteúdo público, o piloto afirma que decidiu falar como cidadão e pede que os fatos narrados sejam investigados.
“Tudo o que eu contei aqui não é opinião. É o que eu vivi, o que eu ouvi e o que eu vi”, declarou. “Eu vi como dinheiro, poder e silêncio andam juntos”, concluiu.
A reportagem procurou o governo do Amazonas, a empresa Táxi Aéreo Piracicaba e os demais citados para esclarecimentos, mas não obteve resposta até o fechamento do texto. O espaço segue aberto para manifestações.






