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Home Cidades

Funcionários terceirizados denunciam atraso salarial no Hospital João Lúcio

Profissionais afirmam não receber salários desde dezembro e relatam falhas nas condições de trabalho na unidade

27 de janeiro de 2026
em Cidades
Tempo de leitura: 9 min
Hospital João Lúcio

Funcionários terceirizados do Hospital João Lúcio denunciam atraso salarial - (Foto: Reprodução/SES-AM)

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Elen Viana – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – Funcionários terceirizados do Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Pereira Machado denunciam atrasos no pagamento de salários. Segundo denúncia recebida pelo Portal Rios de Notícias, os repasses não vêm sendo realizados desde dezembro de 2025 e, até o momento, não há previsão para regularização.

De acordo com os relatos, os profissionais são vinculados à empresa Maestria Serviços em Saúde (MSS), responsável por serviços terceirizados em diversos setores da unidade, como Nutrição, Odontologia, Fonoaudiologia, Psicologia e Fisioterapia.

Ainda segundo a denúncia, um prazo para pagamento teria sido informado para o dia 20 de janeiro, mas os valores não foram creditados. Desde então, não houve definição de uma nova data para a regularização dos débitos.

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“Os profissionais seguem exercendo suas funções normalmente, apesar da ausência de pagamento, o que compromete a dignidade, a motivação e a sustentabilidade do serviço prestado”, afirmou um dos denunciantes.

Comunicado recebido pelos funcionários informando que o pagamento não seria realizado no dia 20 de janeiro – (Fotos: Reprodução/ Arquivo pessoal)

Atraso nos repasses

Em comunicado divulgado aos funcionários no dia 20 de janeiro, a empresa Maestria informou que os pagamentos não foram realizados devido à ausência de repasse financeiro por parte da entidade responsável pela gestão da unidade hospitalar, a Organização Social de Saúde (OSS) Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS). Conforme a empresa, o IDEAS, por sua vez, também não teria recebido os valores da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).

“Antes de mais nada, é preciso reiterar que o referido atraso não decorre de qualquer ato ou decisão da Maestria. A dificuldade atual é reflexo de uma pendência administrativa originada na Secretaria de Saúde, que impactou o repasse de recursos à Organização Social IDEAS, responsável pelo pagamento dos valores devidos à nossa sociedade”, diz trecho do comunicado.

A empresa informou ainda que adotou medidas administrativas para tentar solucionar a situação. Segundo a nota, uma notificação extrajudicial foi encaminhada à contratante no dia 23 de janeiro, cobrando a quitação dos valores em aberto.

“Notificamos extrajudicialmente a contratante para a quitação dos valores devidos, constituindo-a formalmente em mora. A Maestria, assim como todos os seus colaboradores, é prejudicada por essa situação e tem adotado todas as medidas cabíveis para solucioná-la”, afirma o texto.

Comunicado do grupo Maestria, que presta serviços no Hospital João Lúcio – (Foto: Reprodução/ Grupo Maestria)

Leia mais: Barcelos: a primeira capital do Amazonas que dita o ritmo econômico e cultural do Alto Rio Negro

Condições de trabalho

Além dos atrasos salariais, os funcionários também denunciam condições inadequadas de trabalho na unidade, que, segundo eles, colocariam pacientes e acompanhantes em risco. Entre os problemas apontados estão a falta de identificação adequada de setores e corredores, ausência de pulseiras de identificação em pacientes e fragilidades no serviço de alimentação.

Os relatos também mencionam inadequação na oferta de refeições para pacientes e profissionais, especialmente em jornadas de plantão de até 12 horas, além da falta de padronização no porcionamento dos alimentos. Outro ponto destacado é a existência de equipamentos danificados, como macas em condições precárias nos setores de enfermarias e unidades semi-intensivas, fora das UTIs.

“O objetivo deste relato não é causar instabilidade institucional, mas assegurar direitos básicos, garantir condições adequadas de trabalho e preservar a qualidade da assistência prestada à população”, afirma a denúncia encaminhada pelos funcionários.

Gestão da unidade

A gestão dos serviços de saúde do Complexo Hospitalar Leste (CHL), que engloba o Hospital João Lúcio e o Hospital e Pronto-Socorro da Criança, conhecido como Joãozinho, está sob responsabilidade do Instituto IDEAS desde outubro de 2025.

O instituto venceu edital lançado em agosto de 2025 pela Secretaria de Estado de Saúde, por meio do Chamamento Público nº CP 002/2025. O contrato firmado tem valor global aproximado de R$ 1,96 bilhão, com vigência prevista de cinco anos.

O processo contou com a participação de seis organizações de diferentes regiões do país. Atualmente, o IDEAS atua na gestão de unidades e sistemas de saúde em sete estados brasileiros.

Questionamentos

Em setembro de 2025, o deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) questionou o processo de homologação do contratoque previa a transferência da gestão do Complexo Hospitalar Leste ao IDEAS.

Na ocasião, o parlamentar destacou que a entidade responde a denúncias em outros estados, como Ceará, Rio de Janeiro e Santa Catarina, o que, segundo ele, exigiria maior cautela por parte do Governo do Estado na formalização da parceria.

Em Santa Catarina, o IDEAS foi alvo da Operação “Templo Vendido”, deflagrada em maio do ano passado pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal. A operação investiga suspeitas de superfaturamento, subcontratações irregulares e recebimento de vantagens indevidas em um contrato de R$ 196 milhões para a administração do Hospital Materno Infantil Santa Catarina.

No Ceará, denúncias encaminhadas por sindicatos apontam possíveis irregularidades trabalhistas em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) geridas pelo instituto, incluindo atrasos salariais, tentativas de pejotização e relatos de assédio moral.

Posicionamento

A reportagem procurou o Instituto IDEAS, que informou que, em relação aos prestadores de serviços terceirizados, houve pontuais atrasos decorrentes de readequações recentes na estrutura administrativa e financeira do Instituto. 

“Processo necessário para aprimoramento dos fluxos internos e maior eficiência operacional. Ressaltamos que a maior parte desses pagamentos já foi regularizada, restando apenas uma parcela residual, cuja quitação está programada para ocorrer até esta sexta-feira. Durante todo o período, a gestão da unidade manteve diálogo contínuo com as empresas prestadoras e adotou medidas para assegurar a continuidade plena dos serviços assistenciais”, diz trecho da nota. 

O Portal Rios de Notícias também entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para esclarecimentos sobre as denúncias e questionamentos relacionados aos atrasos salariais. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações. 

Tags: atraso no pagamentoempresa MaestriaHospital João LúcioOSSSES-AM

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