Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O vírus Nipah, considerado um dos mais letais atualmente, voltou a preocupar autoridades de saúde em 2026 após o registro de novos casos na Índia, acendendo um alerta internacional.
A doença é rara, grave e pode ser transmitida de animais para humanos, sendo identificada pela primeira vez no final da década de 1990. Seus principais transmissores são os morcegos-das-frutas, que carregam o vírus sem adoecer, mas podem contaminá-lo pelo ambiente.
Quando infecta uma pessoa, o vírus pode atingir cérebro e pulmões, provocando complicações graves. Os sintomas iniciais lembram uma gripe intensa, como febre alta, dores no corpo e de cabeça, náuseas e vômitos, mas a doença pode evoluir rapidamente para confusão mental, convulsões, encefalite, insuficiência respiratória, coma e morte.
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Formas de transmissão
O Nipah pode ser transmitido por:
- Consumo de frutas contaminadas com saliva ou urina de morcegos;
- Ingestão de seiva crua de árvores contaminadas;
- Contato com animais infectados, como porcos;
- Transmissão entre humanos, principalmente em ambientes hospitalares, por contato próximo com secreções respiratórias.
Situação atual e prevenção
No início de 2026, novos casos foram confirmados no estado de Bengala Ocidental, na Índia, e cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena após contato com pacientes infectados, incluindo duas profissionais de saúde. Apesar de não haver casos confirmados no Brasil, o vírus segue sendo monitorado por sua alta letalidade e potencial de transmissão entre humanos.
Não existe vacina nem tratamento antiviral específico, e o atendimento médico se concentra em suporte aos sintomas, hidratação, suporte respiratório e internação em UTI nos casos mais graves.
Histórico de surtos
O primeiro surto grave ocorreu na Malásia em 1999, resultando em mais de 100 mortes e no abate de cerca de um milhão de porcos para conter a disseminação.
Desde então, casos foram registrados em Singapura, Bangladesh e diferentes regiões da Índia, e populações de morcegos infectados já foram identificadas em outros países da Ásia e África.
Medidas internacionais
Em resposta aos novos casos, aeroportos em países asiáticos, como Tailândia, reforçaram protocolos sanitários, incluindo triagem de passageiros, limpeza intensificada de áreas comuns e vigilância epidemiológica. Até o momento, mais de 300 pessoas foram examinadas, sem registros de casos suspeitos.
Estima-se que até 75% das pessoas infectadas não sobrevivam, o que faz do Nipah um dos vírus mais letais conhecidos. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a doença na lista de prioridade para pesquisa, ao lado de vírus como Ebola, Zika e coronavírus.












