Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O copo de bebida já não é mais a regra absoluta entre os jovens. Dados recentes mostram uma mudança no comportamento de consumo de álcool no Brasil, especialmente entre pessoas de 18 a 24 anos, que hoje bebem menos, ou simplesmente não bebem.
Levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), realizado em 2025, aponta que 46% dos jovens dessa faixa etária não consomem bebidas alcoólicas. Outros 20% bebem uma vez por mês ou menos.
O cenário também se repete em outra pesquisa do Ipsos-Ipec, no qual o Portal RIOS DE NOTÍCIAS teve acesso e mostra que 64% dos jovens entre 18 e 24 anos afirmaram não ter mais ingerido álcool ao longo de todo o último ano.
A mudança também não passa despercebida nem pelo mercado. Segundo uma reportagem divulgada pela Bloomberg, desde 2021, o setor global de bebidas alcoólicas perdeu cerca de US$ 830 bilhões em valor de mercado, reflexo da mudança de hábitos.
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Percepção nas ruas
Nas ruas, a percepção se confirma. O estudante Tiago Freitas, de 30 anos, contou a reportagem que nunca teve interesse pelo álcool. Para ele, a escolha é simples. “Nunca tive paladar pra bebida. Prefiro gastar meu dinheiro com outras coisas. Hoje, ser interessante está muito mais ligado a cuidar da saúde e praticar exercício”, afirma.
A engenheira agrônoma e mestranda, Maria Júlia Mourão, de 24 anos, também não consome álcool e associa a decisão à estética, à saúde e ao bem-estar. “Eu malho, faço exercícios e sei que o álcool atrapalha nos resultados. Hoje, não existe mais tanta pressão pra beber ou pra se sentir incluído”, relata.
Mesmo em encontros com amigos, ela prefere alternativas como refrigerante zero e defende equilíbrio entre vida social e autocuidado. “Eu acho que é um movimento hoje de jovens que estão praticando mais exercícios, ou então as redes sociais podem estar influenciando isso”, afirma.
Já Andreza Nunes, de 33 anos, estudante de doutorado, diz que consome álcool de forma pontual e consciente. “Sempre foi algo para relaxar, como um vinho à noite. Mas hoje nem isso tenho feito”, conta. Apesar de reconhecer mudanças de comportamento, ela avalia que, em alguns contextos, adolescentes ainda consomem bastante bebida alcoólica, especialmente em festas.
Conexão social e saúde emocional
Para a terapeuta Samiza Soares, entrevistada pelo riosdenoticias.com.br, os números refletem uma transformação profunda na forma como os jovens lidam com prazer, conexão social e saúde emocional.
“Essa geração passou a questionar os anestésicos emocionais. Muitos associam o álcool à ansiedade, culpa e perda de controle, o que pesa mais do que a ideia de diversão”, explica.

Segundo a especialista, o avanço do ambiente digital também reduziu a pressão social para beber. “Hoje, o pertencimento acontece muito no online. O ‘estar junto’ ganhou novos formatos, e o álcool deixou de ser o centro da socialização, como eram bastante em outras gerações”, analisa.
Samiza destaca ainda o maior acesso à informação sobre saúde mental. “Ansiedade, depressão e burnout deixaram de ser tabu. Muitos jovens sabem que o álcool pode agravar sintomas, prejudicar o sono e interferir no uso de medicações controladas, o que leva a tomar escolhas”.
Outro fator citado pela profissional e que não devem ser desconsiderados, são os recentes casos de falsificação de bebidas alcóolicas e mortes associadas ao consumo. “Quando o risco deixa de ser abstrato e se torna real, quebra qualquer romantização do álcool”, salienta.
Para a terapeuta, beber menos hoje também é identidade e uma mudança cada vez maior por parte da nova geração. “Dizer ‘não’ deixou de ser exclusão e passou a ser posicionamento. Clareza mental, produtividade e autocuidado”, resume.






