Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O filme ‘O Agente Secreto’ (2025), de Kleber Mendonça Filho, entrou para a história do cinema brasileiro ao igualar o recorde de indicações ao Oscar de Cidade de Deus (2002). O longa concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor de Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura.
O anúncio dos indicados foi feito pela Academia nessa quinta-feira, 22/1. Em 2004, Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles, também foi indicado em quatro categorias: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia. Agora, O Agente Secreto alcança o mesmo feito, mas em categorias centrais.
A primeira vitória de um longa brasileiro aconteceu no ano passado, quando Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, recebeu três indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional (Vencedor) e Melhor Atriz, para Fernanda Torres. Com este histórico recente, especialistas avaliaram as chances do longa em 2026.
Cenário favorável e disputado
Apesar do cenário considerado favorável, os especialistas avaliam que a disputa permanece aberta, sobretudo na categoria de Melhor Filme Internacional. Para o crítico Jonas Coelho, ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o desempenho de O Agente Secreto reflete um momento histórico do cinema nacional.
“Pela primeira vez na história, o Brasil chega ao Oscar com cinco indicações, um feito que representa não apenas reconhecimento artístico, mas também superação. Agora, ele consegue emplacar dois filmes na categoria principal, um ano após o outro”, observou o crítico.
Coelho também ressalta o peso simbólico do filme, que vai além da disputa por estatuetas. “O reconhecimento passa a dialogar com a memória da ditadura brasileira, um passado que precisa ser constantemente lembrado”, pontuou ele.
O crítico de cinema Lucas Souza, pondera que embora O Agente Secreto esteja entre os favoritos, o contexto exige cautela. “A categoria reúne três títulos da distribuidora Neon, o que amplia o favoritismo do filme brasileiro, mas também abre espaço para uma reviravolta da Academia, que pode optar por outras obras”, analisa Souza.
A indicação em Seleção de Elenco é vista como um dos pontos mais favoráveis da campanha brasileira na categoria de Melhor Ator, a concorrência é apontada como uma das mais acirradas da edição. Lucas Souza destaca que Wagner Moura enfrenta adversários de peso.
“Timothée Chalamet vive um momento de ascensão vertiginosa e possivelmente entrega sua atuação mais madura até agora. Ainda assim, há um azarão relevante, que é Michael B. Jordan, em Pecadores, onde interpreta dois personagens simultaneamente”, afirma o crítico.


Resultados
Jonas Coelho aponta que a corrida pelo Oscar nunca é linear e que se transforma ao longo das semanas pois depende de discursos, prêmios intermediários, percepção da indústria e estratégia. Ele ressalta que conquistar as indicações já é resultado de um caminho bem traçado.
“Vencer é outra etapa, sujeita a variáveis imprevisíveis. Por isso, o momento pede entusiasmo, mas também maturidade. Torcer é legítimo, celebrar é necessário, mas compreender o tamanho da disputa ajuda a dimensionar ainda mais o valor histórico do que o cinema brasileiro já conquistou”, ressaltou o especialista.
Lucas Souza corrobora com essa visão. “Torço para que o filme saia vitorioso em todas as categorias. Mas, olhando o panorama com algum distanciamento, esses são os embates que se desenham. Ainda assim, é inegável que a campanha ao longo de toda a temporada foi uma das mais consistentes, orgânicas e bem conduzidas entre os indicados”, concluiu.












