MANAUS (AM) – O Acidente Vascular Cerebral (AVC) segue entre as principais causas de morte no Brasil. Estimativas do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil apontam que, em 2025, foram registradas 78.329 mortes por AVC, o equivalente a um óbito a cada seis minutos. Em 2024, o número foi ainda maior: 84.878 mortes, colocando o AVC como uma das maiores causas de óbito no país.
Casos crescem entre pessoas mais jovens
Tradicionalmente associado a idosos, o AVC tem atingido cada vez mais adultos jovens. Dados da Rede Brasil AVC mostram que 18% dos casos no país ocorrem em pessoas entre 18 e 45 anos. Já informações da Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional) indicam que, apenas em 2024, mais de 7.200 pessoas entre 20 e 49 anos morreram em decorrência de AVC no Brasil.
No cenário mundial, a estimativa é de que cerca de 2 milhões de pessoas entre 18 e 49 anos sofram AVC todos os anos, o que representa aproximadamente 15% dos casos globais.
O que é o AVC?
O AVC, também conhecido como “derrame”, ocorre quando os vasos que levam sangue ao cérebro são obstruídos ou se rompem, interrompendo a circulação sanguínea em parte do órgão e podendo causar sequelas graves e até a morte.
Fatores de risco podem ser controlados
Em qualquer idade, alguns fatores aumentam o risco de AVC, muitos deles evitáveis:
pressão alta
diabetes
colesterol elevado
tabagismo
obesidade
sedentarismo
Estilo de vida explica aumento entre jovens
Para o cardiologista Anfremon D’Amazonas, Mestre em Medicina Intensiva pela UEA, o avanço do AVC entre jovens está diretamente ligado ao surgimento precoce de doenças cardiovasculares.
“O AVC pode ter várias causas, mas as mais comuns estão relacionadas a arritmias e à aterosclerose, que é o acúmulo de gordura nos vasos. Esses quadros estão associados à hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade e sedentarismo, cada vez mais presentes nessa faixa etária”, explica.
Cardiologista Anfremon D’Amazonas, Mestre em Medicina Intensiva pela UEA – (Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal)
Segundo a médico, fatores como estresse, má alimentação e doenças crônicas precoces têm ampliado as causas do AVC entre jovens.
Atenção especial às mulheres
O cardiologista alerta que, entre mulheres, a associação entre uso de anticoncepcional e tabagismo pode elevar o risco.“O estrogênio de alguns anticoncepcionais e o cigarro aumentam a formação de coágulos, que podem obstruir vasos cerebrais”, afirma.
Ele ressalta que o anticoncepcional, isoladamente, é seguro para a maioria das mulheres, mas o risco cresce quando há tabagismo, idade acima de 35 anos ou histórico cardiovascular.
Prevenção pode evitar a maioria dos casos
Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 80% dos casos de AVC poderiam ser evitados com medidas simples, como alimentação saudável, atividade física regular, controle da pressão, do diabetes e do colesterol, além de evitar cigarro e álcool em excesso.
“O AVC não é uma doença exclusiva de idosos. Informação e prevenção desde cedo são fundamentais para reduzir riscos e garantir mais qualidade de vida”, conclui Anfremon D’Amazonas.