Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O volume de beneficiários do Bolsa Família no Amazonas já supera a quantidade de trabalhadores com carteira assinada no estado, colocando a unidade federativa entre as 12 do país em que programas de transferência de renda atingem mais pessoas do que o emprego formal.
Em janeiro, mais de 613 mil famílias amazonenses foram contempladas com o Bolsa Família, em todos os 62 municípios do estado, com investimento superior a R$ 454 milhões do Governo.
Dados do Novo Caged divulgados no final de dezembro pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontam que o estoque de vínculos formais do Amazonas chegou a 578.208 em novembro de 2025.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o economista Altamir Cordeiro analisou o volume de recursos como papel fundamental na movimentação econômica local, principalmente no interior do estado.
“A maioria dos municípios do Estado conta com essa movimentação financeira, tanto dos benefícios sociais quanto das aposentadorias rurais, que acabam sendo o principal motor da economia dessas localidades”, destacou o economista.
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Apesar da importância do programa como política de combate à pobreza, Altamir avalia que os números revelam uma realidade preocupante, pois o Bolsa Família escancara a má distribuição de renda no Brasil e a fragilidade do mercado de trabalho no Amazonas, marcado pela baixa oferta de empregos formais fora da capital.
“Sem dúvidas é um programa de transferência de renda, mas ele esconde uma triste realidade: a má distribuição de renda no Brasil. Se faz necessário melhorar a educação e qualificação das pessoas para que não precise depender somente dessa renda, como fonte de renda familiar”, afirmou o especialista.
O economista também chama atenção para um efeito colateral do programa, observado em diversas regiões do estado. “Existem pessoas que não aceitam trabalhar com carteira assinada com receio de perder o benefício. Infelizmente, essa também é a realidade”, pontuou ele.
Para Altamir Cordeiro, o desafio do Amazonas vai além da manutenção dos programas sociais e passa, necessariamente, pela geração de emprego, qualificação da mão de obra e fortalecimento da economia local, especialmente no interior, para reduzir a dependência de transferências governamentais ao longo do tempo.












