Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM ) – O amazonense Ikaro Araújo, de 32 anos, esteve na linha de frente da guerra entre Ucrânia e Rússia e relatou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS a rotina marcada por combates intensos, perdas de colegas, ferimentos graves e um cenário de risco constante. O manauara retornou ao Brasil no último dia 10 de janeiro, após passar quase dois anos no Leste Europeu.
Antes de ir para a guerra, Ikaro trabalhava como agente penitenciário no Brasil. Segundo ele, a decisão de seguir para a Ucrânia foi motivada pela busca por experiência profissional em um cenário completamente diferente do que conhecia.
Em 2024, o amazonense passou a integrar a Guarda Nacional da Ucrânia, unidade responsável diretamente pela defesa das fronteiras.
“Quando não estávamos em missão de defesa de territórios, estávamos treinando ou dando apoio em check-point”, relatou à reportagem.
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No ano seguinte, Ikaro passou a atuar na Legião Internacional de Defesa e Inteligência da Ucrânia (Legião DIU/GUR), ligada às forças especiais do país. Foi nesse período que ele presenciou de forma mais direta a brutalidade do conflito.
Questionado se viu colegas morrerem em combate, a resposta foi direta: “Sim, muitos”. Segundo ele, um dos episódios mais marcantes da guerra não foi apenas visual, mas sonoro.
“O áudio do meu amigo pedindo socorro e eu não poder ter feito nada, por estarmos em zonas diferentes”, contou.
Missão em Kharkiv
O momento mais crítico vivido por Ikaro ocorreu durante uma missão de assalto a posições inimigas no Oblast de Kharkiv, em outubro de 2024. A operação foi alvo de um ataque intenso das forças russas no país ucraniano.
“Foi uma missão de assalto a posição inimiga. Sofremos ataque de artilharia pesada, drones FPV, granadeiros e helicópteros”, relatou.
Durante o confronto, Ikaro foi atingido por fragmentos de granada e morteiro em uma das pernas. Mesmo ferido, conseguiu sobreviver à retirada da área sob forte pressão inimiga.
Ferimentos e recuperação
Após o ataque, o amazonense ficou cerca de dois meses sem conseguir andar. Atualmente, ainda carrega fragmentos de estilhaços pelo corpo, que não podem ser removidos por estarem próximos a nervos, além de perda de sensibilidade em um dos pés.
Apesar das sequelas, ele afirma que o preparo psicológico era essencial. “Em toda missão a gente não sabe se volta com vida”, disse em relato anterior ao portal.
Isolamento e família
Ikaro também falou sobre o impacto de ficar semanas sem comunicação. “Nos primeiros dias é tranquilo. Depois dos 10 dias, o corpo já começa a sofrer os impactos do ambiente”, explicou.
“Minha família nunca soube a real situação que eu me encontrava lá. Mesmo nos momentos mais críticos, eu voltava de missão e falava que estava tudo bem, porque não queria preocupa-los”, afirmou.
De volta ao Brasil, Ikaro Araújo afirma que pretende se especializar na área de segurança e seguir carreira no setor, utilizando a experiência adquirida no conflito.












