Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A obra de reestruturação do talude na avenida Mário Ypiranga, na zona Centro-Sul, – no valor de R$ 3.323.882,23 – tem chamado a atenção dos manauras como uma medida para prevenir erosões na via. No entanto, áreas da periferia de Manaus seguem com risco iminente de deslizamento.
Conforme apurado pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a obra está sendo realizada pela empresa Viaencosta Engenharia Ambiental Ltda, contratada pela Prefeitura de Manaus. O prazo para a conclusão da instalação da geomanta e a concretagem com argamassa é de 90 dias. A promessa é que a mesma chegue a outras zonas da capital.

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), admite dificuldades com desabamentos em crateras na cidade.“Nós estamos com muitos problemas de erosão na cidade de Manaus, e essa nova tecnologia [geomanta] vai dar agilidade, garantindo que eventos de erosão não voltem a ocorrer”, afirmou o gestor.
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Insegurança e medo
Na prática, a realidade tem sido preocupante para quem vive em áreas de risco. Um dos casos mais emblemáticos é o da rua senador Fábio Lucena, no bairro Mauazinho, zona Leste, um cenário que apresenta terra cedendo, casas em risco e moradores à espera de uma resposta por parte da prefeitura. O drama se repete há mais de um ano.
O aposentado Francisco Antônio Lima, de 63 anos, afirmou ao RIOS DE NOTÍCIAS, em reportagem recente, que vive há mais de 40 anos no Mauazinho e enfrenta problemas sérios de saúde. Com o câncer, ele usa uma bolsa de colostomia e diz que não tem mais condições físicas e nem psicológicas de suportar o que está vivendo na área.
“Tudo que passa na minha cabeça é coisa ruim. Minha pressão sobe, não consigo nem fazer exame. Disseram que no verão iam resolver. Estamos no verão, e até agora, só tristeza”, disse o aposentado, ao recordar o esforço que fez para construir sua casa no local.

Morte de líder comunitária após desabamento
Um dos episódios mais graves registrados no ano passado foi a morte da líder comunitária Sâmia Costa Maciel, de 45 anos, que foi soterrada durante o primeiro deslizamento do ano, na comunidade Fazendinha, zona Norte. Mesmo após a tragédia, os moradores da rua Ladário, no conjunto Canaranas II, afirmam que o descaso persiste.
Isso porque a via fica na área superior de onde o barranco deslizou até a comunidade atingida, que ficava na região inferior. Sem obras de contenção, a vegetação tomou conta do local e o barranco continua cedendo a cada chuva, mantendo os moradores sob risco constante. Alguns moradores chegaram a abandonar suas casas.
Em resposta, a Prefeitura de Manaus isolou a área com fitas, instalou uma placa de alerta e realizou o pagamento de um auxílio-aluguel de R$ 600 por um ano, valor considerado insuficiente pelas famílias afetadas. O relato do morador Ernandes Veríssimo viralizou nas redes sociais nesta semana.
“Foi na frente da minha casa e ela veio caindo mais e mais. Está se formando essa cratera. Está caindo a casa do meu vizinhou não sei mais como pedir socorro, então peço a ajuda de vocês para que isso chegue até as autoridades”, destacou o morador.
Ausência de respostas
Apesar de pedidos da população por vias oficiais e também pela mídia, os moradores de ambas as regiões afirmam seguir sem respostas satisfatórias por parte da gestão municipal.
A reportagem solicitou novamente um posicionamento oficial da Prefeitura de Manaus e aguarda resposta. O espaço segue aberto para manifestações.







