Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Justiça do Amazonas negou o pedido de liberdade provisória e de prisão domiciliar de Islane dos Santos João, de 32 anos, é suspeita de tentar matar duas mulheres a facadas no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus. As vítimas são irmãs e Islane segue foragida.
A decisão manteve a prisão preventiva da investigada, que responde por tentativa de homicídio qualificado, após a negativa de um pedido da defesa para substituição da custódia por prisão domiciliar. O Judiciário entendeu que não houve fatos novos capazes de modificar o entendimento anterior.
De acordo com o processo, Islane é investigada por tentar matar Yamiles Coelho Martins e Mila Cristie Coelho Martins com o uso de arma branca, em uma ação considerada violenta e de extrema gravidade.
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Indícios
Na decisão, a juíza destacou que há indícios suficientes de autoria e provas da materialidade do crime, com base nos depoimentos das vítimas, de testemunhas e em outros elementos reunidos durante a investigação.
A magistrada ressaltou ainda que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal. Segundo a decisão, a forma como o crime teria sido praticado causou medo e insegurança na comunidade, além de representar risco às vítimas, aos familiares e à vizinhança.
Outro ponto considerado foi o fato de que, após o crime, a investigada teria fugido, permanecendo em local incerto. Para o Judiciário, esse comportamento reforça o risco de evasão e justifica a manutenção da prisão para garantir a efetividade do processo penal em caso de condenação.
Liberdade e prisão domiciliar negadas
A defesa também solicitou, de forma alternativa, a concessão de prisão domiciliar, alegando que Islane é mãe de uma criança menor de 12 anos. No entanto, a juíza destacou que a legislação e a jurisprudência dos tribunais superiores permitem a negação do benefício em casos de crimes cometidos com violência ou grave ameaça, como o analisado.
A decisão aponta ainda a gravidade do caso ao mencionar que uma das vítimas apresentou quadro de choque hipovolêmico, o que reforça o perigo atribuído à investigada. Diante disso, o pedido de prisão domiciliar foi negado, considerando os riscos à sociedade.
Os pedidos de liberdade provisória e de prisão domiciliar foram indeferidos, mantendo-se a prisão preventiva em regime fechado. O processo será encaminhado ao juízo natural, que poderá reavaliar a necessidade da custódia no prazo legal, conforme prevê o Código de Processo Penal.
Crime
Segundo a investigação do 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o crime ocorreu na noite de 30 de dezembro, por volta das 20h, na Travessa Vitória II, no bairro Flores. As irmãs Yamiles Coelho Martins e Mila Cristie Coelho Martins retornavam para casa quando foram abordadas de forma agressiva por Islane, vizinha das vítimas.
De acordo com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), havia uma rixa anterior entre Islane e Mila, iniciada cerca de dois meses antes do crime. No dia dos fatos, sem provocação imediata, a suspeita teria exigido que Mila pedisse desculpas ao seu filho, mesmo sem motivo aparente.
Yamiles tentou intervir verbalmente, momento em que Islane iniciou a agressão física. A investigada teria sacado uma faca de cozinha escondida no cabelo, indicando que já estaria preparada para o ataque.
Yamiles foi atingida com golpes nas costas e no ombro, sofrendo duas perfurações. A agressão não teve consequências mais graves devido à reação da vítima e à intervenção de testemunhas. Em seguida, Islane teria ferido Mila Cristie no antebraço esquerdo, causando uma lesão arterial grave, com sangramento intenso.






