Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), declarou nesta sexta-feira, 19/12, os motivos do rompimento político com o senador Omar Aziz (PSD). Segundo David, no “jogo político”, o placar estaria dois a um a favor de Omar.
A declaração foi feita durante participação em um programa de TV e explica porque David passou de aliado para possível rival, mesmo após ter anunciado em vários momentos apoio à pré-candidatura de Omar ao Governo do Amazonas em 2026.
“Tá dois a um”
Ao justificar a mudança de posição, David resgatou episódios passados da relação política entre os dois. Segundo ele, há uma conta aberta desde 2017.
De acordo com o prefeito, não se pode cobrar lealdade de quem, no passado, não ofereceu apoio. Ele lembrou que esteve ao lado de Omar na eleição de 2022 para o Senado e que, em 2024, contou com o partido do senador em sua campanha à reeleição. No entanto, destacou que, quando era governador interino e filiado ao PSD, teve o pedido negado para disputar o governo pela sigla.
“Eu não posso cobrar de você o que você não fez por mim” e acrescentou “em 2017 eu era do partido do senador Omar Aziz e ele me negou o partido. Então tá dois a um. Se tem alguém que está em falta, não sou eu”, afirmou David.
Ferida de 2017
A mágoa citada por David remete ao período em que ele assumiu o Governo do Amazonas de forma interina, após a cassação do então governador José Melo, por compra de votos. Na época, David era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa filiado ao PSD, partido comandado por Omar Aziz no estado.
Segundo o prefeito, ao manifestar interesse em disputar o governo nas eleições de 2018, não teve o aval de Omar nem a liberação da sigla para concorrer.
Sem o PSD, David disputou o governo por outra legenda e terminou a eleição em terceiro lugar, com 23,5% dos votos. O segundo turno daquele ano foi entre Wilson Lima (União Brasil), atual governador, e Amazonino Mendes (in memoriam).
De aliados a desalinhados
A fala de David dá sequência a uma semana de tensão pública. Na quarta-feira, 17, ele afirmou, em entrevista a uma rádio, que antecipou demais o apoio a Omar Aziz e decidiu recuar para se “reposicionar politicamente”. Segundo o prefeito, “tudo mudou” e novas possibilidades estão em análise.
No mesmo dia, Omar respondeu com indiretas afiadas, afirmando que “não tem amigo que não tem palavra” e que “a soberba precede a queda”.
Olho em 2026
O embate ganhou ainda mais força com a intensificação dos rumores sobre uma possível candidatura de David Almeida ao Governo do Amazonas. Caso avance nesse projeto, o prefeito teria que renunciar ao cargo em abril de 2026, como prevê a legislação eleitoral.






