Redação Rios
BRASIL – Alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira, 19/12, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), negou irregularidades e afirmou que a investigação representa uma perseguição “contra a direita” e uma tentativa de criar uma “cortina de fumaça” diante de eventuais escândalos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O parlamentar disse que os R$ 430 mil em espécie encontrados em sua residência são provenientes da venda de um imóvel e que não há irregularidades envolvendo a empresa que presta serviços de locação de veículos ao seu gabinete, um dos alvos das apurações da PF.
“Semana passada foi feita a venda de um imóvel meu. O comprador quis pagar em dinheiro. Quando vi que estava etiquetado, não enxerguei nada de ilícito. Acabei não fazendo o depósito, mas faria. Foi um lapso. Ninguém guarda dinheiro ilícito dentro de casa”, afirmou Sóstenes durante entrevista coletiva concedida no Salão Verde da Câmara.
Saiba mais: PF apreende R$ 430 mil em dinheiro na casa do deputado Sóstenes Cavalcante
O deputado também criticou informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras atípicas de assessores do PL que somariam cerca de R$ 18 milhões. Além de Sóstenes, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo da operação.
Sóstenes classificou o Coaf como “um grande problema” e afirmou que o órgão soma movimentações financeiras ao longo de um período extenso sem considerar a origem dos recursos. Segundo ele, seu motorista possui outras fontes de renda, incluindo atividades comerciais, o que explicaria os valores elevados identificados em sua conta bancária.
Sobre a locação de veículos, o parlamentar afirmou que utiliza regularmente o automóvel contratado. “Eu só alugo um carro deles. Ele está sempre comigo ou com meu motorista. Sempre usei um Corolla usado, não novo, para gastar menos da cota parlamentar. Pago um dos menores valores da Câmara. Só seria lavagem de dinheiro se eu não usasse o carro e apenas emitisse a nota”, declarou.
O deputado disse ainda que não tem “nada a temer” e que convocou a coletiva para prestar esclarecimentos aos eleitores. Ele também criticou integrantes do governo Lula e pessoas do entorno do presidente, mencionando o escândalo de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A referência foi a uma operação da PF deflagrada na quinta-feira, 18, para apurar novas suspeitas de desvios em aposentadorias, que apontou pagamentos do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, a Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. Roberta é herdeira de um banqueiro e próxima ao Partido dos Trabalhadores.
O que diz a Polícia Federal
Segundo a Polícia Federal, um assessor ligado a Sóstenes Cavalcante movimentou cerca de R$ 11 milhões em créditos e outros R$ 11 milhões em débitos, sendo apontado como um dos responsáveis por operar desvios de recursos da cota parlamentar.
As movimentações foram atribuídas a Adailton Oliveira dos Santos, que já atuou no gabinete de Sóstenes e, posteriormente, foi vinculado à liderança do PL na Câmara, atualmente exercida pelo deputado. A defesa do assessor ainda não se manifestou.
De acordo com a investigação, foram identificados R$ 11.491.410,77 em créditos e R$ 11.486.754,58 em débitos, com maior concentração entre 2023 e 2024. Parte significativa dessas transações não teve origem ou destino identificados, especialmente valores classificados como “pagamentos diversos” e “lançamento avisado”.
Ainda segundo a PF, cerca de R$ 2,7 milhões foram remetidos a beneficiários não identificados. Para os investigadores, o volume das movimentações, a rapidez dos repasses e o uso recorrente de meios eletrônicos de pagamento são incompatíveis com a capacidade econômica declarada do titular, considerando seu vínculo funcional e contexto familiar.
*Com informações da Agência Estado












