Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A mãe do meninoBenício Xavier, de 6 anos – que morreu após aplicação equivocada de adrenalina por via intravenosa no Hospital Santa Júlia – classificou como “inacreditável” a decisão da Justiça do Amazonas que negou a prisão da médica Juliana Brasil e da técnica de enfermagem Raiza Bentes, nessa terça-feira, 16/12.
A declaração foi publicada por ela nas redes sociais. O pai, Bruno Freitas, também se posicionou após a decisão do juiz titular Fábio Olintho de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, contrária a prisão, mas a favor da suspensão do exercício profissional de ambas pelo prazo de 12 meses prorrogáveis.
“Não importa o quanto eu tenha que cair, ajoelhar e levantar para buscar justiça por você meu filho. Nunca desistirei de você!”, escreveu o pai.
Mais tarde, ambos divulgaram uma nota enviada a imprensa onde afirmam que “a família considera a medida necessária, adequada e coerente com a gravidade dos fatos apurados, sobretudo por reconhecer que o próprio Juízo afirmou que o risco à ordem pública decorre diretamente do exercício profissional das investigadas”.
Os familiares também ressaltam que a interdição cautelar do exercício profissional da médica já havia sido expressamente requerida pela família na denúncia apresentada ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), justamente em razão dos claros riscos à segurança dos pacientes evidenciados no caso concreto.
“A decisão judicial, portanto, vai ao encontro da preocupação manifestada desde o primeiro momento pela família: evitar que novas vidas sejam expostas a situações semelhantes. […] Por fim, a família confia que as investigações seguirão seu curso regular nas esferas penal, cível e ético-profissional, com a apuração rigorosa das condutas”, concluíram.
Decisão judicial
Além do afastamento de suas funções, Juliana e Raiza deverão cumprir outras medidas cautelares, como comparecimento mensal em juízo, a proibição de se ausentar da Região Metropolitana de Manaus (RMM) sem autorização judicial e a proibição de se aproximar da família da vítima e de testemunhas, mantendo distância mínima de 200 metros.
O juiz também determinou que sejam oficiados, com urgência, o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), o Conselho Regional de Enfermagem (COREN-AM), a direção do Hospital Santa Júlia, além das secretarias estadual e municipal de Saúde, para garantir o cumprimento da suspensão das atividades profissionais.
A decisão prevê ainda que, em caso de descumprimento das medidas impostas, poderá ser decretada a prisão preventiva das investigadas. O processo passará a tramitar sob sigilo absoluto após o translado dos autos para o processo principal, a fim de preservar diligências investigativas ainda em andamento.






