Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As agremiações que protagonizam o Festival do Peixe Ornamental de Barcelos apresentaram seus temas para a edição de 2026 durante o lançamento oficial do evento, realizado no último sábado, 13/12, na Casa realizado na Casa Rayol, no bairro Ponta Negra, zona Oeste de Manaus.
A Rede RIOS DE COMUNICAÇÃO esteve presente e entrevistou presidentes, diretores, itens oficiais e torcedores das associações Acará-Disco e Cardinal. O festival, que acontece de 29 de janeiro a 2 de fevereiro, é realizado pela Prefeitura de Barcelos, que neste ano, de forma inédita, trouxe olançamento da 30ª edição para Manaus, com enredos que resgatam a história e a cultura da região.
O prefeito Radinho Alves, destacou em entrevista à reportagem, o significado cultural do festival. “É uma oportunidade de mostrarmos para o Amazonas que nós temos um grande festival, que valoriza a cultura do barcelense e nasce da força do ribeirinho, do caboclo e dos piabeiros”, afirmou.
Neste ano, o peixe Cardinal aposta no arquipélago de Mariuá, enquanto o Acará-Disco homenageia os Soldados da Borracha. As apresentações ocorrem no Piabódromo e, nesta edição, contam também com shows de artistas nacionais na Praia Grande do município, localizado a 399 quilômetros de Manaus.
Cardinal apresenta Mariuá
O presidente do Cardinal, Tonho Fonseca, revelou à Rede Rios que a agremiação trará o tema “Mariuá – Legado, subsistência e resistência”. Fonseca, que participa do festival desde 1994, celebrou a reconquista do título no ano passado.


“No ano passado, nós conseguimos resgatar uma invisibilidade do Cardinal que era de 30 anos. Este ano, nós estamos com o propósito de ir atrás de mais um título”
Tonho Fonseca, presidente do Cardinal
Leia também: Rolê Rios: conheça bares tradicionais que seguem como ponto de encontro em Manaus
Sobre o enredo escolhido, Fonseca explicou que o tema abordará a vivência do caboclo na região. “Vamos retratar os ciclos econômicos que passaram pela nossa região, desde o extrativismo até chegar ao Peixe Ornamental. Hoje, nós temos um potencial muito grande, que é a pesca esportiva”, disse.
O presidente destacou ainda a importância territorial de Barcelos. “Nosso município é o segundo maior do Brasil em área territorial. Nós temos uma diversidade de elementos que movimenta a nossa cultura”, completou.
Acará-Disco homenageia ‘Soldados da Borracha’
Marcos Farias, integrante da diretoria do Acará-Disco, contou à Rede Rios que a associação trabalhará a temática “Pátria à guarda – Soldados da Borracha, heranças de um passado presente”.


“Eles contribuíram para o desenvolvimento econômico do Amazonas. O Soldado da Borracha foi esquecido por muito tempo. Em 2026, trouxemos essa temática para relembrar e destacar o verdadeiro Soldado da Borracha, que contribuiu com o nosso estado”
Marcos Farias, diretoria do Acará-Disco
Sobre os diferenciais da apresentação deste ano, o diretor foi cauteloso. “Como estamos na 30ª edição do festival, estamos preparando novidades. No momento, não posso revelar detalhes, mas vamos fazer uma ótima apresentação no Aquário Negro, como chamamos a arena em Barcelos”, afirmou.
Cada agremiação terá duas horas de apresentação no Piabódromo. Como o Cardinal foi campeão no ano passado, o Acará-Disco será o primeiro a se apresentar em 2026.
Itens oficiais prontos para a disputa
A Rede Rios de Comunicação conversou com os itens oficiais que representarão as duas agremiações durante o festival. Pelo Cardinal, o Mestre Piabeiro Everton Mota explicou a importância do seu papel dentro da disputa.

“O Mestre Piabeiro é o item que leva o instrumento da pesca do peixe ornamental, o rapiché, utilizado na captura do peixe Cardinal. Eu venho acompanhado da porta-bandeira e juntos representamos o símbolo maior do peixe”
Everton Mota, mestre piabeiro
Segundo Everton, o ritmo de preparação já começou há meses. “A preparação começou desde a metade do ano, com o lançamento do tema em nossa cidade. Agora, trazendo esse recorte para Manaus, tenho certeza de que em janeiro estaremos prontos para fazer um festival incrível”, garantiu.
Jaine Bastos, porta-estandarte do Cardinal, falou sobre a emoção de carregar o símbolo da agremiação. “O que eu sinto agora é um pouco de nervosismo, mas também muita alegria e gratidão por estar aqui. Minha preparação tem sido intensa e feita com todo o amor que eu sinto pelo Cardinal. É uma honra representar minha família e o meu peixe”, declarou.

Pelo Acará-Disco, Rafaela Moreira estreia como porta-estandarte e não esconde a ansiedade. “É uma mistura muito grande de emoções. Por ser meu primeiro ano, o coração está a mil e as expectativas são enormes. É desafiador, mas eu creio que vou saber lidar para entregar o meu melhor no item”, afirmou.

Carolina Araújo, Guerreira Indígena do Acará-Disco, também vive sua estreia no item após ter sido porta-estandarte no ano passado. “Este ano fui realocada para Guerreira Indígena e estou com uma expectativa muito boa. Já fui também Pajerana do Peixe Acará-Disco”, contou.

Carolina explicou à reportagem a história do item Pajerana, uma identidade feminina ligada à figura do Pajé e considerada uma novidade entre os festivais do Amazonas.
“No ano retrasado houve essa mudança. O Pajé passou a ser representado por uma figura feminina. Foi uma novidade no estado do Amazonas, e eu fui a representante. Para este ano, a expectativa é muito boa e prometo entregar o meu melhor”, afirmou.
Torcedores vivem rivalidade apaixonada
A rivalidade entre as duas agremiações é intensa e começa desde cedo. A Rede Rios conversou com torcedores de ambos os lados, que carregam a paixão pelos seus peixes.
As torcidas no Festival do Peixe Ornamental são chamadas de cardumes, em referência aos peixes que dão nome às agremiações. Karen Cecília, de 18 anos, também é Cardinal desde a infância. “O Cardinal foi apresentado a mim desde pequena. Eu sou Cardinal com muito amor desde quando nasci”, disse.

A jovem destacou o espírito coletivo da agremiação. “A coletividade do cardume Cardinal é incrível e admirável. Quando os barcelenses se unem para fazer uma apresentação, todo mundo se junta, e isso se torna algo muito bonito”, explicou.
Do lado do Acará-Disco, a paixão também é transmitida de geração em geração. Alice, torcedora da agremiação, não é natural de Barcelos, mas acompanha o festival todos os anos por influência da família do marido. “Eu vejo a emoção e a paixão de toda a família dele pelo Acará-Disco”, contou.

Alice revelou que os dois filhos também torcem para o peixe. “Tenho dois filhos e os dois são Acará-Disco. Inclusive, um deles dança e participa do item Povos Indígenas”, finalizou.






