MANAUS (AM) – O processo para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) passou por mudanças após a aprovação de uma nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Para entender como a medida impacta diretamente quem pretende dirigir, o Portal Rios de Notícias foi às ruas ouvir a opinião dos amazonenses.
O vendedor Gustavo Batalha acredita que a flexibilização pode ajudar quem sonha em tirar a habilitação, mas chama atenção para a importância da formação teórica.
“É muito bom para quem está tirando a carteira, porque vai pagar mais barato. Realmente, é muito caro tirar a CNH, então isso ajuda a população. Mas a aula teórica ainda é necessária, sim. A pessoa precisa ter conhecimento da legislação brasileira, isso é importante”, afirmou.
Vendedor Gustavo Batalha (Foto: Tunico Santos/ Portal Rios de Notícias)
A principal mudança trazida pela resolução é o fim da obrigatoriedade das aulas nas autoescolas. Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação, e outros 30 milhões têm idade para tirar a CNH, mas não o fazem, principalmente devido aos altos custos, que podem chegar a R$ 5 mil.
A técnica de enfermagem Aline Rosa, que já está no processo para tirar a habilitação, conta que gastou cerca de R$ 2.500 e vê a mudança como um alívio.
“Isso é maravilhoso para quem quer tirar a CNH. Quem já sabe dirigir vai ser muito mais ágil, porque não vai precisar fazer as aulas, pagando apenas as taxas do Detran. A gente paga muito caro na autoescola. Eu mesma já gastei R$ 2.500. Então essa mudança traz uma boa facilidade”, disse Aline.
Técnica de enfermagem Aline Rosa (Foto: Tunico Santos/ Portal Rios de Notícias)
Segurança no trânsito
Por outro lado, profissionais da área demonstram preocupação. O instrutor de autoescola Wemerson Pontes avalia que a mudança pode comprometer a segurança no trânsito e a qualidade da formação dos novos motoristas.
“Estamos analisando como esse processo vai funcionar quando entrar em vigor. Essas mudanças podem aumentar os índices de acidentes. Com apenas duas aulas práticas obrigatórias, o aluno vai estar capacitado? Será que estará preparado para assumir a direção de um veículo? Isso precisa ser pensado e analisado”, destacou.
Ele afirma que o setor vive um momento de incerteza e que a adaptação será inevitável.
Instrutor Wemerson Pontes (Foto: Tunico Santos/ Portal Rios de Notícias)
“Quando há mudança, existe resistência. Mas depois todos vão ter que se adequar ao novo sistema, às regras e ao regime que serão definidos”, concluiu.
O que muda na prática
Em caso de reprovação, o candidato tem direito a uma segunda tentativa gratuita.
Curso teórico passa a ser gratuito e on-line, sem carga horária mínima.
O candidato não é mais obrigado a contratar autoescola para a formação inicial.
A carga mínima de aulas práticas cai de 20 para 2 horas.
O aluno pode treinar com instrutor autônomo credenciado e até usar carro próprio.