Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o Ofício das Tacacazeiras da região Norte como Patrimônio Cultural do Brasil, na terça-feira, 25/11.
Segundo o Iphan, o ofício foi inscrito no Livro dos Saberes e destaca a importância das mulheres amazônicas na preservação de conhecimentos ancestrais ligados à culinária regional. O tacacá é um prato típico da Amazônia feito com tucupi e goma (derivados da mandioca), camarão seco, jambu e temperos variados.
“O ofício de tacacazeira não se restringe a uma receita, mas compreende um conjunto integrado de práticas agrícolas, saberes tradicionais, técnicas culinárias, modos de comercialização, formas de sociabilidade e sentidos simbólicos”, diz Izabela Tamaso, conselheira do Iphan.
O parecer destaca que o ofício surgiu em um contexto de crise econômica e falta de empregos formais, quando mulheres que não encontravam espaço no mercado tradicional passaram a utilizar a venda de alimentos de rua como estratégia de sobrevivência e manutenção familiar.
O ofício está presente em todas as sete capitais da Região Norte, com características próprias em cada localidade. Em Belém (PA), por exemplo, existem registros literários e artísticos sobre as tacacazeiras desde o final do século XIX. Já em Palmas (TO), a prática é mais recente, ligada à migração paraense e maranhense para a cidade.
Os pontos de venda variam entre bancas, barracas, quiosques, carrinhos, boxes de mercado, kombis, lanchonetes e até restaurantes especializados.
O instituto reforça que, mais do que locais de comércio, esses espaços são pontos de encontro e sociabilidade, onde se fortalecem os laços comunitários e a identidade amazônica.
Pedido de registro
O pedido de registro começou em 2010, quando o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) solicitou o reconhecimento, como parte de um trabalho maior sobre os saberes relacionados à mandioca no Pará.
Em 2024, o processo ganhou novo impulso com uma pesquisa realizada em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que ouviu mais de 100 tacacazeiras em sete estados da Região Norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.






