Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A morte do artista parintinense Antônio Paulo Rodrigues de Souza, de 40 anos, durante a montagem da árvore de Natal no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus, expôs o envolvimento de duas empresas contratadas para atuar diretamente na obra: a CenArt Produções e Serviços e a Transmuller Aluguel de Máquinas.
O operador do guindaste, Antônio Benjamim de Lima Cunha, 57, foi preso em flagrante pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal, após ser conduzido ao 24° Distrito Integrado de Polícia (DIP), no domingo, 23/11.
Após repercussão do caso, o Portal RIOS DE NOTÍCIAS buscou apurar o envolvimento das duas empresas no trabalho de montagem e realizou um levantamento dos dados cadastrais e informações técnicas para entender o papel de cada empresa no serviço.
Leia também: Fala Manaus: moradores denunciam esgoto a céu aberto no Canaranas II
CenArt Produções e Serviços
A CenArt, de CNPJ 28.322.515/0001-27, pertence ao empresário Diogo Azevedo Lemos. A empresa é a responsável pela construção cenográfica da estrutura natalina instalada no Largo. Antônio Paulo, que morreu no acidente, trabalhava para a empresa na ocasião da queda do equipamento.

A CenArt já prestou serviços em outros eventos públicos de grande porte, como o Boi Manaus, evento que é promovido pela Prefeitura de Manaus, e recebeu a contratação do Governo do Amazonas para montar a árvore neste ano. A função da empresa incluía produzir e instalar os módulos cenográficos que seriam içados pelo guindaste.

Transmuller Aluguel de Máquinas
A Transmuller, de CNPJ 04.613.758/0001-56, administrada por Mayara de Carlos Souza Muller, é responsável pela operação do guindaste, além de caminhões-munck e remoção de cargas pesadas.

O equipamento que tombou pertence à Transmuller. O operador contratado pulou da cabine segundos antes da queda.
Outra vítima do acidente, Henes Libório Ramos, de 47 anos, foi internada com fratura na perna.
Indícios de falhas técnicas
A investigação preliminar apontou indícios de irregularidades na operação. Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), não havia ART específica para a montagem nem plano de rigging, documento obrigatório para operações com elevação de carga.
O Crea-AM confirmou que o trabalhador não soube informar sobre a ART e não encontrou registro da documentação. Na semana anterior, o órgão havia autuado outra empresa sem registro, constatando apenas a presença de um caminhão-munck, sem operação com guindaste.
Posicionamento do governo
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC) afirmou que o tombamento ocorreu durante o içamento dos módulos da árvore. A pasta disse ter prestado assistência às vítimas e garantiu que enviará toda a documentação às autoridades responsáveis pela investigação.
Confira a nota na íntegra:
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa informa que, na manhã deste domingo, 23/11, durante a montagem da árvore de Natal do Largo de São Sebastião, o guindaste da empresa responsável pela operação, que estava sendo utilizado para a colocação de módulos da estrutura, tombou.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados e realizaram o atendimento de duas vítimas, funcionários da empresa responsável pela montagem, que ficaram feridas e foram encaminhadas para uma unidade de saúde da capital. Uma das vítimas, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e foi a óbito ao chegar ao hospital. A outra segue internada, com quadro de saúde estável. O Governo do Amazonas lamenta pelo ocorrido e informa que está prestando toda a assistência às vítimas e famílias.
As primeiras informações apontam para a possibilidade de falha operacional como causa do acidente, o que será devidamente apurado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que por meio do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), vai instaurar um Inquérito Policial (IP). A Secretaria de Cultura e Economia Criativa ressalta que a empresa contratada apresentou a documentação exigida para esse tipo de operação, que será entregue aos órgãos competentes.
Secretaria de Cultura
O que dizem as empresas
A reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou as duas empresas envolvidas neste caso. A CenArt Produções não respondeu até o fechamento desta matéria; o espaço segue aberto para manifestações.
Já por meio de nota, a empresa Transmuller Aluguel de Máquinas respondeu aos questionamentos e destacou ter sido contratada “exclusivamente para o aluguel do guindaste com operador”, negando responsabilidade sobre planejamento e direção técnica.
A empresa afirma que o trabalhador possuía CNH compatível e todos os cursos exigidos por lei, incluindo NR-11 e NR-35. Questionada sobre o fato de ele ter estado afastado pelo INSS e recebendo auxílio-doença, a Transmuller respondeu que o profissional não integrava o quadro de funcionários, atuando apenas como prestador de serviços avulso.
Segundo a empresa, o operador “em nenhum momento comunicou que recebia auxílio-doença”, informação que, de acordo com a nota, teria sido confirmada pelo próprio trabalhador apenas em depoimento à polícia.
Investigação em andamento
O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e pelas informações apresentadas, é possível que a apuração avance também para identificar quem tinha a responsabilidade de verificar a aptidão física, documental e funcional do operador antes de colocá-lo à frente de uma operação de alto risco.






