Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Pix consolidou-se como o principal meio de pagamento dos brasileiros desde seu lançamento em 2020, ultrapassando inclusive o dinheiro em espécie. No entanto, a forma como cada região utiliza o sistema revela diferenças no perfil financeiro da população.
O estudo “Geografia do Pix”, desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), traz um dado que chama atenção: o Amazonas lidera o ranking nacional de frequência de uso da plataforma.
Segundo o estudo, cada usuário amazonense realizou, em média, 48 transações mensais em 2024, número bastante superior à média brasileira de 32 operações por pessoa, como mostra o levantamento.
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Apesar da alta frequência, o estado apresenta o menor valor médio por transação do país: apenas R$ 119,07, enquanto a média nacional fica em R$ 190,57. Os dados sugerem que os amazonenses utilizam o Pix de forma intensa no dia a dia, mas para movimentações financeiras de menor porte.
A taxa de adesão ao sistema no Amazonas alcançou 59,66% da população, percentual ligeiramente inferior à média nacional de 63%, o que indica que cerca de 6 em cada 10 pessoas no estado já utilizam o Pix regularmente.
Especialista aponta ‘cultura do pix’ no Amazonas
Ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o economista Inaldo Seixas, explica que o padrão de pagamentos no estado indica que o Pix foi incorporado ao cotidiano como forma prática, rápida e disponível de transação, especialmente para valores pequenos.
“Tudo indica que o Pix caiu no gosto dos moradores da região Norte. O Amazonense abriu mão do dinheiro físico. Talvez pela dificuldade de disponibilidade, talvez pelo hábito de usar o valor de um familiar para pagar uma compra, mas o fato é que ele usa o Pix para tudo”, avalia.
Inaldo Seixas, economista
Seixas destaca que fatores culturais e estruturais ajudam a explicar essa alta frequência. Um deles é a capilaridade limitada do sistema bancário e dos caixas eletrônicos no interior. “A dispersão geográfica e a dificuldade de acesso a agências facilitam a adoção de métodos que não exigem banco 24h ou caixa automático. Com o Pix, você está sempre com a possibilidade de pagar, por menor que seja o valor”, diz o economista.
Ele também cita hábitos locais de mobilidade e serviços. “Há usos que em outros estados não são tão comuns, como o pagamento por moto uber. No Amazonas é generalizado, tanto na capital quanto no interior, e a maior parte dessas transações é paga em Pix”, completa.
Para o economista, o conjunto desses elementos forma uma espécie de “cultura do Pix” no estado: “Tem muita relevância como o amazonense enfoca seus pagamentos. Por mais pequenos que sejam, estão sempre no Pix. É uma hipótese, claro, não temos uma pesquisa específica orientando esse fato, mas é uma explicação possível”.
Panorama nacional
Ainda de acordo com o levantamento, o Distrito Federal registra a maior taxa de adesão do país, com 77,9% da população usando o Pix regularmente, além de apresentar um dos valores médios mais altos por transação (R$ 233,43).
Estados do Sudeste, como São Paulo (R$ 221,62) e Minas Gerais (R$ 217,10), também apresentam valores elevados, reflexo do maior poder aquisitivo regional e da concentração de transações comerciais e empresariais.






