Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os preços de alimentos e bebidas vendidos na Bluezone da COP30 chamaram atenção e geraram ampla repercussão nas redes sociais nos últimos dias. O assunto também foi destaque nesta sexta-feira, 7/11, no Jornal da Rios FM.
Uma simples lata de refrigerante por R$ 25, água mineral pelo mesmo valor e um brigadeiro a R$ 20 despertaram indignação entre jornalistas, profissionais da imprensa e participantes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
Durante o Jornal da Rios FM desta sexta-feira, 7/11, o jornalista da Rede Rios de Comunicação, Lucas Xavier, apresentou uma análise detalhada que expõe o lado mais controverso dessa equação: a diferença entre o custo real dos produtos e o preço final ao consumidor.
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“Uma latinha de Coca-Cola no Atacadão de Belém custa R$ 3,55. Na COP30, ela é vendida por R$ 25. Isso é uma diferença de R$ 21,45”, destacou o jornalista.
“Vamos supor que o empresário comprou essa latinha por R$ 3,55. Ele tem R$ 21,45 de margem para descontar custos operacionais, mão de obra e ainda ter lucro. Tenho certeza de que, com R$ 15 de margem, ele cobre todos os custos e o restante é lucro puro”, afirmou Xavier.
O questionamento central é direto: como justificar um lucro de R$ 21,45 em um produto industrializado, pronto para consumo e que exige apenas refrigeração?
O outro lado
Empresários que atuam na Blue Zone explicaram, em reportagem ao portal O Liberal, os motivos por trás dos preços elevados. Eduardo Cravo, proprietário do Delícias Quilombolas, afirmou ter passado por um processo rigoroso de consultoria do Sebrae, com base em edital da ONU.
“É um evento global, e isso exige que a gente tenha condições de alimentar pessoas de diferentes culturas. O edital da ONU prevê margens para alimentos veganos e vegetarianos, o que impacta no preço, pois precisamos de produtos da agricultura familiar e orgânicos”, explicou Cravo.
Outro empresário, Eller Oliveira, também ressaltou os custos envolvidos para colocar o negócio em prática. “A gente participa de um edital que define todos os custos envolvidos, desde questões legais, contratos e padronização do espaço. Tudo isso entra na conta.”
Oliveira falou ainda que eventos internacionais envolvem custos elevados com mão de obra especializada e logística de manipulação alimentar mais rigorosa, para evitar qualquer risco à saúde dos participantes.
Uma das regras da BlueZone torna a situação ainda mais complicada. Não é permitido entrar com garrafinhas ou alimentos próprios. Assim, os participantes são obrigados a consumir no local ou ter que sair do evento para buscar opções mais baratas.
Levantamento feito pela CNN Brasil mostra o panorama completo dos preços praticados na COP30:
- Biscoito de castanha (250 g): R$ 40
- Garrafa d’água (350 ml): R$ 25
- Refrigerante em lata: R$ 25
- Sucos naturais: R$ 30
- Café expresso: R$ 25
- Arroz com frango desfiado (prato simples): R$ 40
- Filé ao molho madeira: R$ 70
- Lasanha de abobrinha: R$ 60
- Sanduíche natural: R$ 35
- Brigadeiro: R$ 20
- Brownie: R$ 30
- Coxinha: R$ 45
- Biscoito de castanha (80 g): R$ 20






