Redação Rios
BELÉM (PA) – A cena era quase britânica, exceto pelo local. O príncipe de Gales, William, protegido por um guarda-chuva preto, apareceu na tarde desta quinta-feira, 6/11, ao lado do premiê britânico Keir Starmer.
Mas não em Londres: a visita aconteceu em Belém (PA), durante a Cúpula de Líderes da COP-30, quando ambos foram surpreendidos por uma repentina chuva tropical por volta das 15h30, anunciada pelo som das gotas caindo sobre castanheiras, embaúbas, sumaúmas e guajarás.
William e Starmer passaram a tarde conversando com jovens lideranças amazônicas no Museu Paraense Emílio Goeldi. A chuva interrompeu a visita aos bosques do museu, onde aves e mamíferos circulam livremente, em um percurso cuidadosamente planejado para fotos e imagens oficiais.
Após a chuva, o príncipe retomou as conversas com jovens como Paula Tanscheit, da Alianza Socioambiental Fondos del Sur, e Regilon Matos, engenheiro civil e gestor de programas do Fundo Casa Socioambiental. William se interessou pelos desafios logísticos para levar recursos a comunidades amazônicas.
“Logisticamente, deve ser muito difícil fazer os recursos chegarem ao redor da Bacia Amazônica. Como vocês fazem isso?”, perguntou ao gestor. Matos explicou que o fundo atua com territórios indígenas, quilombolas, áreas rurais e urbanas, garantindo recursos rápidos em casos de incêndio ou inundação, e já apoiou mais de 160 etnias. “É fácil para um engenheiro”, respondeu William, em tom de bom humor.
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Perfume de priprioca e patchouli
Durante a visita, o príncipe também recebeu Carla Braga, de 28 anos, e Pedro Mota, de 27, da entidade CoJovem. Eles pediram apoio financeiro para iniciativas voltadas à juventude e presentearam William com um perfume típico do Pará, à base de priprioca e patchouli, vendido no Mercado Ver-o-Peso.
“Aqui em Belém, usamos o cheirinho do Pará para atrair boas ações. Desejamos investimentos para a juventude”, disse Pedro. Carla acrescentou: “Quero ver como isso vai se desenrolar em ações concretas”.
Fundo Florestas Tropicais Para Sempre
Antes, William e Starmer participaram de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da abertura oficial da Cúpula do Clima em Belém. O príncipe elogiou o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), iniciativa brasileira que remunera países pela preservação de florestas, mas o fundo não recebeu o esperado aporte britânico.
“A proposta do Brasil é visionária, valorizando a natureza na estabilidade climática. Foi finalista do Earthshot Prize este ano”, disse William. Segundo o governo britânico, dificuldades orçamentárias adiaram a participação como investidor, e o foco atual está no crescimento interno e na elevação do padrão de vida.
Retorno à Amazônia
William já havia visitado a Amazônia em 2025, repetindo em certa medida trajetórias do pai, rei Carlos III, que esteve na região em 1978 e 2009. Em 1991, também como príncipe de Gales, William visitou o Pará, incluindo o Museu Emílio Goeldi e Carajás.
Encontro com ‘mini príncipe’
Ao fim da visita, William se encontrou com Rafael de Sousa Nogueira, de 7 anos, vestido de príncipe azul, que entregou uma carta escolar sobre aquecimento global e a Amazônia. O príncipe se ajoelhou para tirar fotos com o garoto.
A mãe do menino, Kattyanne de Sousa, relatou que eles esperaram quase dez horas para o encontro. Saíram de casa às 7h da manhã, mas não conseguiram entrar na sede da COP-30 e seguiram para o museu. Às 16h30, finalmente conseguiram ver William na saída do local.
*Com informações da Agência Estado






