Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Dois dos mortos na megaoperação policial no Rio de Janeiro foram identificados como traficantes do Amazonas, apontados como chefes do Comando Vermelho (CV) em Manaus.
Entre eles estão Douglas Conceição de Souza, o “Chico Rato”, e Francisco Myller Moreira da Cunha, conhecido como “Gringo”. As mortes foram confirmadas nesta sexta-feira, 31/10, pelo governador fluminense Cláudio Castro (PL).
Segundo Castro, dos 99 criminosos identificados até o momento, 22 são de outros estados, incluindo Amazonas, Pará, Bahia, Ceará e Paraíba. A ação, considerada uma das mais letais da história do Rio, deixou 132 mortos, segundo a Defensoria Pública do Estado (DPE).
Quem era ‘Chico Rato’
Natural de Manaus, Douglas Conceição de Souza, de 32 anos, era apontado pela polícia como um dos principais líderes do tráfico na zona Leste da capital amazonense.

Condenado a 40 anos de prisão em 2019 pelo duplo homicídio dos irmãos Isaías e Hilmes Rabelo, ele cumpria pena em regime semiaberto quando passou a atuar como integrante do Comando Vermelho.
Segundo a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Chico Rato chefiava o tráfico no bairro Tancredo Neves e mantinha ligação direta com João Branco, ex-líder da extinta Família do Norte (FDN), facção que mais tarde se aliou ao CV.
Investigações apontam que ele teria se deslocado para o Rio como parte de uma articulação entre faccionados do Norte e Sudeste.
Quem era ‘Gringo’
O outro amazonense morto na operação, Francisco Myller Moreira da Cunha, o “Gringo”, era natural de Eirunepé, no interior do Amazonas. Ele completou 32 anos um dia antes da operação e estava foragido desde abril de 2024, após ser condenado a 34 anos e 10 meses de prisão por homicídio e organização criminosa.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Amazonas, Gringo participou da execução de Samuel Paz de Andrade, em agosto de 2021, na zona Leste de Manaus. A vítima dormia em casa quando foi morta a tiros. O crime foi motivado por disputas entre facções rivais.
A megaoperação
A ação policial, iniciada na terça-feira, 28, mobilizou 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. O objetivo, segundo o governo do estado, era desarticular a cúpula do Comando Vermelho, que atua nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte da capital fluminense.
Além das mortes, o balanço oficial aponta 133 presos e 118 armas apreendidas, sendo 91 fuzis. Os confrontos mais intensos ocorreram na Serra da Misericórdia, onde moradores encontraram dezenas de corpos e os levaram à Praça São Lucas para reconhecimento.
Até o momento, sete foragidos do Amazonas foram identificados entre os mortos na megaoperação, mas apenas dois tiveram nomes confirmados oficialmente.






