Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em entrevista exclusiva à RÁDIO RIOS FM 95,7, nesta quinta-feira, 31/8, o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN), Luiz Baré, compartilhou informações cruciais sobre as dificuldades e desafios que as comunidades indígenas têm enfrentado durante a crise sanitária que estão enfrentando.
“Temos um desafio gigantesco, mas para que o governo (federal) possa nos atender, nós levamos nossas necessidades, de acordo com as nossas especificidades”
Luiz Baré, coordenador do Dsei do Alto Rio Negro
Baré, que supervisiona três municípios – Barcelos, Santa Isabel e São Gabriel – abrangendo cerca de 750 comunidades, descreveu a grave situação na saúde e segurança da região do Alto Rio Negro.
Durante reunião dos 34 Dseis do país com a Secretária de Saúde do governo federal, em Brasília (DF), um dos pontos críticos abordados foi a infraestrutura precária nas comunidades indígenas, com a falta de postos de saúde que se encontram em estado deteriorado. A mobilidade também é um problema, uma vez que a região carece de motores e barcos para o transporte.
“Estamos lidando com a falta de estrutura para o que chamamos de ‘polo base’, que são unidades básicas de saúde localizadas dentro das aldeias. No meu caso, para levar profissionais de saúde até as comunidades, preciso de motores e barco. Recebemos o Dsei em um estado de deterioração.”, explicou o coordenador.

Atualmente, o coordenador da Dsei trabalha com cerca de 25 polos base, que é reforçada com 25 equipes da área da saúde todos os meses, totalizando 600 pessoas para atender as comunidades. No entanto, Luiz ressalta que esse número não é suficiente para suprir a demanda, pois enquanto essas equipes estão atuando em algumas comunidades, outras ficam sem atendimento.
As equipes ficam na sede da Dsei, que fica localizada em São Gabriel da Cachoeira e se deslocam para as regiões que vão realizar os atendimentos. Essas equipes ficam no local durante 30 dias e depois o local recebe outra equipe. Há esse revezamento para que essas comunidades não fiquem sem o apoio necessário.
Um dos maiores desafios que Luiz enfrenta em seu Dsei-ARN, é em relações a doenças como a malária: “Nossa região é totalmente endêmica, e a gente visa diminuir isso. Dependendo do clima, a gente consegue diminuir, mas tem períodos em que ela aumenta. Mas, temos a questão de desnutrição, que continua sendo um desafio, porque muitos são povos que não tem envolvimento social”, disse Luiz.

Povos isolados
São quatro povos isolados e seminômades que a Dsei-ARN começou a ter contato há pouco tempo, muitos problemas ainda tem sido detectados e trabalhados. Luiz destaca que esses povos requerem uma atenção maior por não terem tido nenhum contato direto com a sociedade, e que essa adaptação está sendo feita aos poucos para que se acostume, mas sem interferir em seus hábitos.
“Nós procuramos preservar essa cultura deles, o atendimento é diferenciado. Na saúde comum você vai aos hospitais e ubs, e no nosso caso nós vamos até eles”, explicou Baré.
O Amazonas conta ainda com outros sete Distritos Sanitários Especial Indígena para tender todas as regiões. Além de lutar pela preservação dos povos originários, os distritos buscam ajudar as comunidades a qual são responsáveis, além de garantir que tenham uma qualidade de vida melhor e acesso ao serviço de saúde de qualidade, garantindo seus direitos.
Segurança
Para além dos problemas com a saúde dos povos indígenas, há também a falta de segurança e as constantes ameaças. Baré explica que apesar de estarem em uma área de fronteira, a segurança é praticada pelas próprias comunidades, pois não há na prática uma ação do Governo Federal.
“Nós conseguimos controlar a desmatamento através da comunidade, que faz sua própria segurança. Nós não temos segurança, o Governo Federal ainda não conseguiu nos ouvir, no sentido de colocar na prática. Apesar de estarmos na fronteira e ser uma área de segurança nacional, o Exército tem seu papel definido. Nós temos apenas duas pessoas da Policia Federal para fiscalizar tudo”, explica Baré.






