Nicolly Teixeira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, é mais do que uma data no calendário escolar, é um momento de reflexão sobre o papel e os desafios daqueles que dedicam a vida à educação. Entre histórias de superação, falta de valorização e amor pela profissão, docentes ouvidos pelo portal Rios de Notícias compartilham o que os motiva a continuar ensinando e transformando vidas.
Diversidade de perfis e o papel transformador da docência
O coordenador do curso de Pedagogia do Centro Universitário Fametro, professor Elizandro Santos, destaca que um dos maiores desafios da profissão é lidar com salas de aula cada vez mais diversas, tanto em idade quanto em experiências de vida. Segundo ele, o educador precisa ser criativo, empático e capaz de adaptar suas metodologias para atender diferentes perfis de alunos.
“Na graduação, a gente tem uma sala totalmente heterogênea. Na Pedagogia, há alunos de 60, 55, 63 anos. Essa diversidade faz com que o professor tenha que pensar coletivamente, mas atuar individualizando sua prática. Ele não vai atingir todo mundo com uma única metodologia. Então o professor precisa ser criativo e estar motivado para aplicar metodologias ativas”, afirmou.

Para Elizandro, o que o mantém motivado é o poder transformador da educação, acompanhar o desenvolvimento dos alunos ao longo da graduação e testemunhar suas conquistas.
“Me mantenho motivado porque gosto de transformar vidas. Na graduação, acompanhamos o aluno desde o primeiro até o último período, e cada etapa é marcada por pequenas vitórias. Na coordenação, sigo com eles até a formatura. Cada trajetória traz testemunhos de superação e transformação”, completou.
Desvalorização e desafios da formação continuada
O professor de Literatura Jan Santos ressalta outro ponto sensível da profissão, a falta de valorização da formação continuada. Segundo ele, mesmo com especializações, mestrado e doutorado, muitos educadores não veem esse esforço refletido no reconhecimento profissional.
“A maior dificuldade é a baixa valorização da nossa formação continuada. Frequentemente me pergunto qual o valor do meu Mestrado ou do Doutorado que estou prestes a concluir, uma vez que a iniciativa privada raramente remunera esses títulos e a iniciativa pública é extremamente burocrática ao fazê-lo. É difícil ir trabalhar todo dia sem estímulo algum para nos tornarmos profissionais de alto nível”, afirmou.

Além disso, Jan chama atenção para os novos desafios comportamentais da juventude, como o vício em telas e a falta de concentração, problemas que, segundo ele, têm raízes na educação familiar e na cultura digital precoce.
“A grande maioria das pessoas julga a juventude por vício em tela, falta de leitura e problemas de foco. Mas nada disso existiria sem uma geração de pais desatentos, que dão uma tela a uma criança que mal sabe falar. Esses hábitos são os principais desafios em sala, mas são apenas resultados de uma paternidade que assumiu a responsabilidade pela metade”, pontuou.
A origem da data e o reconhecimento à profissão
A homenagem aos professores tem origem em uma lei sancionada em 1827, que permitiu a criação das primeiras escolas de ensino elementar no Brasil. No entanto, o Dia dos Professores foi oficializado somente em 14 de outubro de 1963, pelo então presidente João Goulart, por meio de um decreto que reconheceu o trabalho dos docentes em sala de aula.
Mais de um século depois, o 15 de outubro segue como uma data de reflexão, reconhecimento e luta por melhores condições de trabalho, valorização e respeito àqueles que constroem, diariamente, os caminhos da educação no país.






