O Agente Secreto não é nada do que se espera, é muito mais. O novo filme de Kléber Mendonça Filho flui graciosamente através do suspense, drama, romance e, frequentemente, faz rir. Tudo tem o seu devido espaço ao longo de mais de 2 horas e meia de projeção.
Tive a oportunidade de assistir ao filme na primeira sessão após ele ser anunciado como o candidato oficial do Brasil ao Oscar. A sessão foi promovida pelo Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, ao qual eu deixo os meus mais sinceros agradecimentos.

Desde o começo do filme, as situações se desenvolvem por debaixo de uma nuvem de incertezas. Não se sabe muito sobre nada. O que o personagem de Wagner Moura está fazendo ali? Por que ele está fugindo? De quem? Há quanto tempo? De quem é aquela perna? Quem são aquelas duas? Essas são algumas das perguntas que pensamos durante o longa – e que ele não tem pressa em responder.

Além de todas as questões da “trama principal”, o filme despreocupadamente introduz subtramas onde desenvolve personagens coadjuvantes e explora novos mistérios irresolutos e, portanto, eternos na cabeça do espectador bem depois do fim da sessão.
“Mistério”, aliás, é uma das duas palavras que poderiam resumir o filme, a outra seria, sem dúvidas: “Recifense”. Um dos elementos que se destacam na trama principal e subtramas é a sua brasilidade, sua “pernambuquice”, sua “recificença”. Apesar de ter suas semelhanças com thrillers estadunidenses, O Agente Secreto é desavergonhadamente brasileiro.

O longa expõe seu coração verde e amarelo ao incorporar na trama mitos e folclores do nordeste, abraçar a luta pela memória, bem como a luta pelo reconhecimento do nordeste e apresentar personagens como Dona Sebastiana.
O Agente Secreto é mais um na longa lista de filmes que consagram o nordeste como um sólido polo de produção cinematográfica do nosso país. É outro expoente da recente guinada brasileira que eu espero que não pare nunca mais.