Gabriel Lopes – Rios de Notícias
BORBA (AM) – A vereadora Professora Jéssica Querolin (DC) revelou em entrevista exclusiva à Rádio Rios FM 95,7, nesta quinta-feira, 2/10, os bastidores por trás da fala da sua colega de parlamento, Betinha Maciel (Republicanos), que repercutiu nacionalmente após afirmar em plenário ser “a favor da violência contra mulher”.
A declaração foi feita em defesa do colega Pedro Paz (União Brasil), acusado de comportamento agressivo contra Jéssica, que o denunciou no primeiro semestre deste ano, após ele levantar o dedo em sua direção de forma intimidadora em uma sessão. Em vez de repudiar o gesto, Betinha minimizou a atitude e declarou apoio ao colega.
“É uma fala que assustou a todos nós. Eu não sei por que ela [Betinha] trouxe isso, se era um plano, já que isso já tinha passado. Eu entrei na comissão de ética contra Pedro e registrei boletim de ocorrência porque eu achei machista a atitude dele. Ela puxa essa cena e diz que ele não vai ser cassado e pede do presidente para que ela entre na comissão de ética, para me cassar”, afirmou ela durante entrevista ao jornalista Keynes Breves, no Jornal da Rios.
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Após tal afirmativa, Betinha, que é líder do prefeito na Câmara iniciou sua fala dizendo ser a favor da violência contra a mulher, argumentando que “quando um homem bate em uma mulher, ela aprova, mas ao mesmo tempo é contra o ato”. Em seguida, ela afirmou: “Também tem mulher que merece apanhar”.
Um vídeo de outra sessão plenária realizada em maio deste ano mostra a vereadora Betinha ameaçando agredir Jéssica, quando houvesse uma oportunidade. Ela já se envolveu em um episódio de agressão contra uma colega em plenário no ano de 2012.
“Eu não vou lhe bater vereadora Jéssica. Eu não sou burra não. Eu sei me colocar no meu lugar. Quando a senhora merecer, em outro lugar eu lhe dou. Mas não aqui. Eu não vou”, afirmou Betinha à época.
Perseguição política
Jéssica afirmou estar sendo alvo de uma campanha de ataques coordenados nas redes sociais, envolvendo humoristas locais e servidores públicos. Segundo ela, a ação seria financiada pelo prefeito Toco Santana (Republicanos), para desgastá-la politicamente. Ela alega estar sendo perseguida desde o início do seu mandato.
“Eu tenho ciência desses ataques, inclusive denunciei na Polícia Federal. A minha equipe jurídica nomeou o processo como ‘gabinete do ódio’. Ao meu ver, o prefeito contratou pessoas para fazer a mídia positiva dele e a minha mídia negativa”, declarou ela ao ressaltar, que já registrou boletins de ocorrência contra os envolvidos.
Para Jéssica, os ataques configuram violência política de gênero e são parte de um esquema organizado para intimidar opositores, já que ela tem se mostrado atuante contra ilegalidades. A vereadora é de Novo Aripuanã e mora em Borba a quatro anos, tendo sido eleita para seu primeiro mandato, após ter sido secretária municipal de educação.
“Eles me atacam como agressora, sendo que eu sou a vítima. Ela diz que eu me coloco porque eu sempre venho trazendo essa pauta da violência política de gênero, e sempre venho dizendo que a minha dor e a perseguição que eu sinto é legítima. Eu sempre que trazer para ver se abro a mente das pessoas para que o que estou passando é perseguição e eles dizem que não”, concluiu Jéssica.
Respostas
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou posicionamentos oficiais dos citados na reportagem e aguarda retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.






