Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A cidade de Manaus enfrenta, em média, mais de duas horas diárias de deslocamento, e o preço da tarifa de ônibus aparece como o principal obstáculo para a mobilidade urbana. Os dados são da pesquisa Viver nas Cidades – Mobilidade Urbana 2025, divulgada no último dia 25/9 e realizada com internautas de todo o Brasil.
De acordo com o levantamento, a capital amazonense está entre as cidades onde os deslocamentos consomem mais tempo: cerca de 130 minutos por dia, superando a média nacional de 116 minutos. O cenário evidencia a dependência do transporte individual, utilizado por 58% dos entrevistados em Manaus, enquanto apenas 38% recorrem ao transporte coletivo.
Transporte coletivo e impacto econômico
Entre os usuários de ônibus municipais, o preço da tarifa foi apontado como o fator que mais impacta a rotina. O custo elevado leva muitos manauaras a deixarem de realizar atividades básicas, como visitar familiares e amigos, participar de momentos de lazer, comparecer a consultas médicas ou até mesmo procurar emprego. A capital, segundo a pesquisa, concentra a maior proporção de pessoas que afirmam enfrentar dificuldade para realizar atividades cotidianas em função do valor da passagem.
Outro dado relevante é que Manaus está entre as capitais com menor adesão ao transporte coletivo: apenas 38% dos participantes afirmaram utilizar ônibus, BRT ou outros modais com frequência, enquanto 58% optam por carro próprio, moto ou aplicativos.
Para os internautas, os principais fatores que poderiam tornar o transporte coletivo mais atrativo são a redução no tempo de espera em pontos e terminais, além da ampliação de linhas que contemplem áreas hoje não atendidas.
Insegurança
A pesquisa também aponta a insegurança como um dos maiores desafios. Em Manaus, 87% dos internautas afirmaram sentir-se pouco ou nada seguros ao circular como pedestres, seja em calçadas, passarelas ou travessias. O dado aproxima a capital amazonense de cenários como os do Rio de Janeiro e Salvador, onde a sensação de insegurança no espaço urbano também é predominante.
Esse conjunto de fatores, tempo perdido, alto custo e insegurança, revela um retrato de desigualdade na mobilidade urbana da capital amazonense, afetando principalmente moradores de áreas periféricas.
Consequências e tarifa zero
O especialista em trânsito Manoel Paiva destacou que o sistema viário de Manaus é dominado pelo transporte individual, em detrimento do coletivo, o que desestimula a população. “As ruas sempre congestionadas provocam estresse constante para condutores, passageiros e usuários, com consequências visíveis como o elevado número de acidentes de trânsito”, afirma.

Paiva também critica a falta de integração entre as linhas, o que muitas vezes obriga o passageiro a pagar duas ou mais tarifas por um único deslocamento. “A população periférica, fiel usuária do transporte coletivo, paga uma tarifa única para utilizar ônibus lotados nos horários de pico, que demoram de maneira insuportável para cumprir a frequência prometida de 20 minutos”, aponta.
Sobre a proposta da tarifa zero, o especialista ressalta a necessidade de reavaliar a política tarifária, considerando o impacto social do preço atual.
“Hoje, o valor da passagem é uma barreira social que impede o acesso a direitos básicos. É preciso adotar mecanismos de cobrança de melhorias nos serviços, definir fontes de recursos na LOA e implementar medidas de racionalização dos custos operacionais para reduzir as despesas do município”, conclui.






