Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Apesar de serem maioria nas universidades brasileiras, pessoas negras e indígenas ainda enfrentam barreiras no acesso ao mercado de trabalho digital, muitas vezes restritas a cargos de base. Para transformar esse cenário, surgiu a Awalé, edtech de impacto social que capacita e conecta esses grupos às áreas de Marketing, Vendas e Negócios no ambiente digital.
Fundada em 2021 por Rosângela Menezes e atualmente sediada em Florianópolis, a iniciativa já impactou centenas de vidas, com foco na inclusão digital de pessoas negras e indígenas.
“Criei a Awalé após deixar meu emprego e perceber que poderia usar minha experiência em comunicação e marketing para formar pessoas – seja para atuar como freelancer, conquistar um emprego ou digitalizar seus próprios negócios. Durante a pandemia, vi muitos pequenos empreendimentos fecharem por falta de digitalização, e isso me motivou profundamente”, contou Rosângela ao Rios de Notícias.

Capacitação com recorte racial
Desde sua criação, os cursos da Awalé são voltados a pessoas negras e indígenas, inicialmente com foco em mulheres e, desde 2024, ampliados para todos os perfis desses grupos.
Segundo dados da RAIS (2024), mulheres negras apresentam a maior taxa de desemprego do país (10,1%), mais que o dobro da registrada entre homens não negros (4,6%). Mesmo com o avanço na qualificação, estudo do Dieese aponta que barreiras institucionais, discriminação e desigualdade socioeconômica ainda limitam as oportunidades.
Formação em Social Media
A nova edição da Formação em Social Media está com inscrições abertas até esta terça-feira, 30/9, e as aulas terão início em 4 de outubro. O curso é gratuito para bolsistas e também oferece a opção de inscrição com valor social.
Com carga horária de 100 horas distribuídas em 12 semanas, o programa combina aulas ao vivo aos sábados, conteúdos gravados, mentorias com especialistas e workshops técnicos – preparando os alunos para atuar de forma qualificada no mercado digital.

“O mercado digital em Manaus tem potencial, mas ainda é muito desigual. As empresas estão investindo em presença online, o que abre oportunidades. Porém, pessoas negras, mesmo capacitadas, muitas vezes ficam restritas a cargos de estágio ou assistência, e não chegam a postos mais qualificados”, avalia Rosângela.
O curso inclui ainda um módulo de gestão financeira para quem deseja atuar como freelancer ou empreender no meio digital. “Na Amazônia, isso é essencial. Trabalhar remotamente ou oferecer serviços online permite que essas pessoas concorram a vagas em outras regiões do país, inclusive em modelo home office”, acrescenta.
Educação como ponte para o protagonismo
Desde 2021, a Awalé já capacitou mais de 130 pessoas, contribuindo para o aumento da renda familiar de alunas em valores que variam entre R$ 300 e R$ 3.000.
Rosângela destaca que a proposta da edtech vai além da formação técnica: busca preparar para prosperidade e liderança. “Queremos ampliar oportunidades no Norte por meio da educação e chamamos empresas comprometidas com ESG a apoiar bolsas e contratações”, reforça a empreendedora, que se identifica como mulher amazônida.






