Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Na rua Ladário, no conjunto Canaranas 2, bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus, os moradores vivem um cotidiano de apreensão. Há cerca de um ano, uma enorme cratera se abriu na via e, desde então, só aumenta de tamanho. O problema se agrava a cada chuva, e muitos residentes afirmam que já não sabem mais a quem recorrer para garantir segurança.
A servidora pública Marlene Barbosa, que reside na área, relata a tensão constante enfrentada pela comunidade. “Cada vez que chove, como aconteceu na semana passada, a gente corre para frente de casa para ver se está tudo de pé. Isso aqui é uma tragédia anunciada. A gente só não sabe se vai acontecer daqui a uma semana ou dois meses, mas é certo que esse barranco vai desmoronar”, disse Marlene.
O aposentado Edson Brito também relata momentos de pânico durante as chuvas recentes, quando percebeu a gravidade da situação.
“Quando caiu aquela chuva, minha casa chegou a tremer. Eu senti o impacto, fui ver o que era, e um pedaço da rua tinha simplesmente desaparecido”, contou Edson, evidenciando o risco imediato para quem mora na região.


Histórico de tragédia
A preocupação dos moradores aumentou após a morte de uma líder comunitária da comunidade vizinha, Fazendinha, ocorrida em março deste ano. Ela foi soterrada durante um deslizamento de terra, também provocado pelas fortes chuvas. Na época, os residentes da rua Ladário já alertavam sobre o risco iminente de desmoronamento na área.
A aposentada Cesarina Oliveira criticou a falta de ação das autoridades e disse que os políticos não valorizam a vida das pessoas.

“Se tivessem tomado providências antes, essa tragédia poderia ter sido evitada. Eles têm verba, mas não valorizam a vida das pessoas. A senhora lá de baixo morreu. O que mais precisa acontecer?”, questionou indignada.
Lívio Nascimento, líder comunitário da região, reforça que a situação continua crítica. “A cratera só cresce e os deslizamentos são cada vez mais frequentes. Estamos tentando chamar atenção para evitar novas mortes. O ideal seria uma solução definitiva, mas nem paliativa foi feita até agora. Se nada for feito, essas casas vão cair e vidas serão perdidas”, alertou.


Defesa Civil acompanha a situação
Em resposta, o diretor de operações da Defesa Civil de Manaus, José Mendes, afirmou que o órgão acompanha o caso desde o início e já esteve no local para averiguar a situação.
“Nós estamos monitorando desde o sinistro que ocorreu entre Canaranas e Fazendinha, quando houve aquela vítima fatal. Fizemos reuniões e tomamos algumas providências. Inclusive, recentemente, uma equipe técnica esteve no local para planejar um desvio e outras ações para conter o avanço da cratera”, explicou Mendes.
Apesar da declaração, a comunidade ainda não viu o início das obras e segue sem uma data definida para a intervenção.






