Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A onda de calor provocada pelas altas temperaturas na capital amazonense provocam, além do incômodo aos moradores, diversos apagões na energia elétrica. No último domingo, 27/8, Manaus passou por mais um desses episódios, e a população da região metropolitana também precisou lidar com as quedas de energia. Alguns locais continuavam sem o fornecimento de energia até o início da noite de segunda-feira, 28/8.
Na última quarta-feira, 23/8, foi registrado o maior pico de consumo de energia. A concessionária Amazonas Energia relatou que recebeu 681 ocorrências em um único dia, atribuídas ao consumo recorde de energia. O aumento foi de 18% em relação ao mesmo período do ano passado.
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As quedas de energia frequentes têm se tornado uma dor de cabeça constante para os moradores de diversos bairros em Manaus, como é o caso da jornalista Rebeca Vilhena, residente do bairro Mauazinho, na zona Leste da cidade. Mais do que apenas prejuízos materiais e financeiros, as interrupções no fornecimento elétrico têm causado impactos emocionais e físicos, como observado por Rebeca.
“A queda de energia começou na última quinta-feira e na sexta-feira, um dos ar-condicionados da minha casa queimou. Eu tive que comprar outro aparelho, porque nesse calor não tinha condições ficar sem. Tive que gastar uma grana, fora as noites que não dormi”, revela Rebeca Vilhena.
A narrativa de Vilhena não é um caso isolado. Muitos moradores enfrentam gastos inesperados devido a equipamentos danificados, além de sofrerem com desconforto em suas residências e locais de trabalho devido à falta de energia elétrica.
Ao ser questionada sobre os casos de queima de aparelhos eletrônicos ocasionados por problemas de energia, a concessionária argumenta que viabiliza um canal para o procedimento aos consumidores. É necessário relatar os danos e solicitar compensação. E, para isso, é necessário que o consumidor vá em umas das nove lojas da capital, ou agências do interior, munido da nota fiscal do aparelho e a conta de energia.
Nessa segunda-feira, 28/8, a jornalista passou novamente o dia sem energia. Segundo ela, o fornecimento de energia foi interrompido à 1h da madrugada e, só retornou às 17 h, totalizando mais de 15 horas sem energia elétrica.
Ao entrar em contato com a concessionária para relatar esses problemas, Rebeca e outros moradores foram informados “que a situação seria resolvida”.
No entanto, a realidade muitas vezes difere das promessas feitas, e as soluções demoram a ser implementadas.
E é essa demora que gera frustração crescente entre os moradores que enfrentam interrupções no fornecimento de energia, e ficam à mercê da empresa Amazonas Energia, sem uma resposta efetiva.
“Já entramos em contato com a concessionária, falaram que iam resolver, mas até agora nada”, reclamou Rebeca
Resposta
Em nota, a Amazonas Energia justifica que tem conhecimento da situação e que a demanda de eletricidade além do projetado tem resultado em uma série de interrupções no serviço.
“As frequentes interrupções têm sido relacionadas ao calor intenso que atinge a cidade. Com sensações térmicas superiores a 40ºC, a população tem recorrido de maneira intensiva a aparelhos de refrigeração causando elevação de mais 8% no consumo, que passou de 1.522,60 MW, registrado em 18 de agosto do ano passado, para 1.657,90 MW registrado na última quarta-feira 23/8”, informa a nota.
“Esse aumento tem sido muito influenciado pela onda de calor que afeta quase todo o Brasil, em especial, as cidades do Norte e Centro-Oeste, e como consequência, aumenta-se o consumo diário de utilização de aparelhos de ar-condicionado na cidade“, declarou Raimundo Júnior, técnico da Amazonas Energia.
Em resposta à esse tipo de situação, a empresa informa, ainda, que já fez substituições de equipamentos e cabos elétricos em diversos bairros, visando modernizar a infraestrutura, com a promessa de um menor tempo de resposta para casos de apagões.
No intuito de suprir a demanda cada vez maior por eletricidade, a empresa afirma que realizou cerca de R$ 270 milhões em obras estruturantes. Dentre os principais projetos, destaca-se um investimento de R$ 233 milhões voltados à expansão e fortalecimento do sistema de 69 e 138 kV.
A construção das novas subestações de João Paulo e Distrito Três, assim como o reforço da capacidade da subestação Mutirão, sinalizam a tentativa da concessionária em se adaptar ao crescimento populacional e econômico da cidade. Adicionalmente, cerca de R$ 37 milhões foram alocados em projetos para ampliar a rede de 13.8 kV.
“Essas obras cumprem um planejamento feito pela concessionária desde que foi privatizada, buscando atender ao crescimento populacional e econômico da cidade de Manaus, baseado nos estudos sistêmicos e de mercado”, concluiu o gerente de Engenharia e Obras, Eduardo Firmino.












