Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) deflagrou, nesta quarta-feira, 17/9, a segunda fase da Operação Militia, que investiga um esquema de extorsão, lavagem de dinheiro e fraudes bancárias no estado.
A ação resultou em nas prisões de um sargento reformado da Polícia Militar e de um homem – uma prisão em Manaus e outra no município de Borba – além do cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão.
Durante coletiva de imprensa, o promotor de Justiça Armando Gurgel detalhou a operação, que desarticulou um núcleo criminoso suspeito de usar contas bancárias fraudulentas para movimentar valores obtidos por meio de extorsão. Uma das contas estava registrada em nome de um perito da Polícia Civil, que, segundo o MP, também foi vítima do esquema.
“Desde o início havia a suspeita de que o perito não tinha envolvimento direto com o caso. Isso se confirmou durante a investigação, e por isso optamos por uma prisão temporária à época, apenas como medida de segurança para o andamento das apurações”, afirmou Gurgel.
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Fraude de identidade e uso de contas bancárias
Segundo o MP, as investigações comprovaram que a identidade do perito foi falsificada para abrir uma das contas usadas no esquema de lavagem de dinheiro. Um dos presos nesta nova fase, detido em Borba, é apontado como responsável pela fraude.
“Ele [o perito] colaborou com as investigações desde o início. Foi constatado que houve falsificação de documentos e uso indevido dos dados pessoais dele”, explicou o promotor.
Crimes investigados e apreensões
Além de extorsão mediante sequestro, os investigados podem responder por falsidade documental, estelionato, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Apesar da expectativa, nenhuma arma de fogo foi apreendida na operação. Segundo o promotor, o foco principal nesta fase era a apreensão de equipamentos eletrônicos, fundamentais para avançar na análise das transferências bancárias.
“A investigação está centrada na criação fraudulenta de contas e movimentações financeiras eletrônicas. Ainda não tivemos acesso direto aos instrumentos usados nas extorsões”, destacou Gurgel.
Desdobramentos possíveis
Questionado se novas prisões podem ocorrer, o promotor afirmou que ainda é cedo para confirmar. Ele explicou que materiais apreendidos na primeira fase da operação continuam em análise e que a investigação segue em andamento.
“Ainda há um volume considerável de dados sendo examinados. Só após essa análise poderemos avaliar se novas medidas serão necessárias”, disse.
Identificação das contas fraudulentas
Sobre o uso de contas bancárias em nome de terceiros, o promotor destacou que investigações sigilosas já identificaram movimentações incompatíveis com os dados fornecidos pelas vítimas, reforçando os indícios de fraude.
“Essas inconsistências nos ajudam a rastrear a origem das movimentações financeiras e a identificar quem realmente teve acesso às contas”, completou.
Sem posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) em busca de esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestação dos órgãos citados.






