Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A população de Manaus foi pega de surpresa com a paralisação do transporte coletivo na manhã de quinta-feira, 11/9, na Avenida Brasil, zona Oeste da cidade. O protesto, realizado por rodoviários, teve como principal motivação o atraso no pagamento dos salários, que deveriam ter sido pagos desde o dia 5 de setembro.
A suspensão afetou diversas linhas de ônibus e causou transtornos a milhares de passageiros que dependem do transporte público para circular pela capital amazonense.
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O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com o especialista em trânsito Manoel Paiva, que avaliou os impactos imediatos da paralisação e destacou as fragilidades históricas do sistema de mobilidade urbana da cidade.
‘Sistema já é ineficiente mesmo em dias normais’, diz especialista
Para Paiva, o impacto de paralisações como essa escancara um problema que vai além do protesto pontual: a ineficiência estrutural do transporte coletivo de Manaus. Ele afirma que o sistema, mesmo em funcionamento normal, já não atende de forma satisfatória à população.

“A paralisação gera caos na segurança viária, aumenta o estresse dos usuários e sobrecarrega o transporte individual, que transporta poucas pessoas e contribui para congestionamentos”, explica.
Segundo ele, o sistema é pouco atrativo por ser demorado, inseguro e desconfortável. “As pessoas ficam muito tempo esperando nas paradas, e por isso buscam alternativas individuais. Mas essa migração causa outro problema: a cidade não tem infraestrutura viária para comportar tantos veículos”, acrescenta.
População de baixa renda foi a mais afetada
O especialista destaca que a população de baixa renda foi a mais prejudicada, pois não dispõe de recursos para pagar alternativas como táxis ou carros de aplicativo.
“Muitas pessoas ficaram ilhadas nos terminais e paradas de ônibus. Quem depende exclusivamente do sistema coletivo ficou sem opção. Isso mostra como ele é, hoje, inadequado e insustentável”, alerta.
Transporte coletivo é a saída, mas precisa ser repensado
Para Manoel Paiva, a única forma de melhorar a mobilidade urbana e a qualidade de vida em Manaus é investir de forma consistente no transporte coletivo acessível, integrado, sustentável e inclusivo.
“Não existe milagre para o trânsito. É preciso priorizar o transporte público, aumentar a velocidade comercial dos ônibus e garantir mais viagens, especialmente nos horários de pico. Só assim a população poderá voltar a confiar no sistema”, analisa.
Ele ressalta que, com o aumento do uso de veículos particulares, o sistema viário da cidade entra em colapso, gerando congestionamentos, poluição e estresse generalizado.
Estresse e riscos aumentam com ruas lotadas
Paiva também chama atenção para os efeitos psicológicos do trânsito caótico, agravados por paralisações inesperadas. Ele aponta que, quanto maior o número de veículos nas ruas, maior o risco de acidentes e infrações, além do aumento do estresse mental entre motoristas e passageiros.
“Seja em uma Mercedes-Benz ou em uma moto simples, ninguém aguenta mais circular pelas ruas de Manaus. As vias são mal planejadas, mal conservadas e inacessíveis em muitos pontos”, conclui.












