Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os radares eletrônicos de Manaus registraram 156.761 infrações de trânsito até o fim de agosto deste ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 9/9, pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).
A zona Oeste concentra os maiores índices de autuações, com destaque para a avenida do Turismo, que aparece em três pontos do ranking dos locais mais fiscalizados. O equipamento instalado no cruzamento com a avenida Thales Loureiro, no bairro Ponta Negra, lidera a lista, com 17.568 multas aplicadas.
Redução de mortes no trânsito
Apesar do alto número de infrações, os dados revelam melhora nos índices de violência viária. Entre janeiro e 1º de setembro, as mortes no trânsito caíram de 236 em 2024 para 167 em 2025, uma redução de 29%. Também houve queda nos atropelamentos (de 64 para 58) e nos óbitos de motociclistas (de 104 para 79). Os motociclistas, no entanto, seguem como o grupo mais vulnerável.
Avaliação de especialista
O especialista em trânsito Manoel Paiva avaliou os resultados. Para ele, a queda nos números reflete os efeitos da fiscalização eletrônica e da presença permanente dos radares, mas que mudanças ainda precisam ser feitas.
“Esses dados renovam minha esperança de que possamos melhorar os índices de violência urbana, diminuir o estresse coletivo e garantir mais segurança viária para a capital. A fiscalização constante salva vidas e reduz riscos urbanos provocados pelas altas velocidades”, afirmou.
Paiva lembrou que, em vias como o Rodoanel Metropolitano (avenida do Turismo), onde antes havia altos índices de mortes, a redução já ultrapassa 80%. “Os números também refletem menos internações hospitalares, tanto na rede pública quanto na privada”, acrescentou.

Distribuição dos radares
Segundo o especialista, embora a zona Oeste tenha apenas três das áreas mais populosas da cidade (junto com as zonas Norte e Leste), ela concentra 55% dos radares fixos, 1 dos 20 existentes em Manaus. Esse fator explica a quantidade elevada de infrações registradas na região.
Para reduzir ainda mais os acidentes, Paiva defende a ampliação da fiscalização em outras áreas. “Precisamos expandir o monitoramento, o gerenciamento e a fiscalização do sistema viário para outras zonas da cidade”, alertou.

Motociclistas ainda em risco
Mesmo com a queda de 24% nas mortes de motociclistas em relação a 2024, os índices ainda preocupam. O especialista destaca que o aumento da frota de motocicletas é um dos fatores que influenciam a estatística: em 2025, o Brasil registrou 1.000.749 unidades fabricadas apenas no primeiro semestre, o melhor resultado em 14 anos, com crescimento de 15,3%.
“Os engarrafamentos em Manaus reduzem a velocidade média das vias para 12 km/h. Isso gera estresse, nervosismo, acidentes e vítimas fatais. A busca por transporte individual mais barato e rápido agrava o problema”, explicou.
Atualmente, a capital amazonense tem 1.024.009 veículos automotores cadastrados no Detran-AM, para uma população estimada em 2,3 milhões de habitantes.

Radares e soluções para o trânsito
Paiva defende o uso dos radares como ferramenta eficaz para salvar vidas e cita medidas complementares necessárias:
- Reduzir acidentes e mortes com fiscalização de velocidade;
- Ampliar calçadas, passarelas e faixas bem sinalizadas para pedestres;
- Investir em tecnologia com semáforos inteligentes, câmeras e monitoramento;
- Priorizar o transporte coletivo com faixas exclusivas para ônibus;
- Expandir linhas de apoio e construir novos terminais, especialmente nas zonas Norte, Leste, Oeste e Distrito Industrial.

Educação e planejamento urbano
Além da tecnologia e da fiscalização, o especialista reforça a importância da educação no trânsito e do planejamento urbano.
“O processo de formação, requalificação e informação de condutores e pedestres é fundamental para melhorar o comportamento da comunidade. Isso deve vir acompanhado de obras públicas adequadas e inclusivas, voltadas a todos: trabalhadores, estudantes, mulheres, pessoas com deficiência e visitantes”, destacou.
Ele acrescentou ainda que o crescimento desordenado da frota impacta diretamente na qualidade de vida. “Precisamos investir na manutenção e implantação de passeios públicos para melhorar a caminhabilidade, garantir segurança e tornar Manaus mais inclusiva e sustentável”, concluiu.






