Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Entre rios, ruas históricas e a diversidade cultural do Centro Histórico de Manaus, a história da Amazônia se revela não apenas nas datas comemorativas, mas nas vozes de quem vive e transforma a região.
Foi às ruas que o Portal Rios de Notícias Rios de Notícias buscou relatos da população sobre o Dia da Amazônia e a elevação do Amazonas à categoria de província, 5/9, além de ouvir o que pensam sobre identidade, cultura e os desafios enfrentados pela região.
No meio da movimentação do Centro, o estudante Kevin Araújo compartilhou sua visão sobre a importância de conhecer e valorizar a cultura amazônica. Para ele, essa conexão com as raízes é fundamental para formar cidadãos conscientes e engajados na preservação do patrimônio regional.
“A Amazônia é rica em culinária, festivais como o de Parintins e outras manifestações culturais. É importante que o povo conheça suas raízes, principalmente os mais jovens. No futuro, espero mais investimentos em pesquisas sobre a região. Precisamos preservar e valorizar o que temos”, disse.

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A estudante de enfermagem da etnia Baré, Gabriellie Gamenha, acrescentou outro olhar essencial: o cuidado com a saúde indígena. Ao observar as dificuldades enfrentadas pelas comunidades mais afastadas, Gabriellie destacou como a representatividade é simbólica, mas ainda insuficiente diante da realidade dos povos originários.
“Metade da população do Amazonas é composta por povos originários. O Dia da Amazônia simboliza representatividade. É preciso estar atento às comunidades indígenas, pois muitas enfrentam vulnerabilidades na saúde pública. Existem projetos com embarcações que levam médicos e enfermeiros até essas áreas, mas há comunidades esquecidas nos lugares mais distantes da floresta”, afirmou.
Entre os corredores da Feira da Manaus Moderna, o feirante Valdemiro Pereira ressaltou o orgulho de fazer parte da história da Amazônia, mostrando que a valorização da cultura local se reflete também na economia e na identidade de quem produz e comercializa arte e artesanato na região.
“O Dia da Amazônia é uma data histórica. Os turistas valorizam nossos produtos, compram nosso artesanato. Me orgulho de trabalhar no mercado e contribuir para que a Amazônia, com toda a sua diversidade, chegue ainda mais longe em outros países”.


Entre orgulho e desafios
Mesmo diante do orgulho e da celebração da cultura regional, a população apontou desafios estruturais que ainda comprometem o desenvolvimento da cidade. O técnico de enfermagem Rafael Anderson comentou sobre a precariedade da infraestrutura e a necessidade de políticas públicas mais efetivas, especialmente para atender à população vulnerável.
“Há obras abandonadas, e a galeria que o prefeito prometeu para os trabalhadores saírem da informalidade nunca saiu do papel. O saneamento básico precisa melhorar. Aqui é uma terra rica, inclusive no interior, mas é necessário investir em infraestrutura. O governo federal também precisa oferecer mais apoio, com programas sociais e habitacionais. Há muitas pessoas em situação de rua. E os jovens precisam de cursos de qualificação”, disse.

A artesã Diracilda de Lima Martins, que há seis anos trabalha na feira de artesanato do Centro, reforçou a importância de investimentos no setor turístico, ressaltando como a falta de estrutura afeta o movimento e a economia local, especialmente durante feriados prolongados.
“Com o feriado, o movimento diminui muito aqui na Praça Tenreiro Aranha porque as pessoas viajam para os sítios. Esta praça poderia ser um ponto turístico mais bem cuidado. Quando há turistas, vendemos mais, e todos ganham. É preciso mais incentivo para atrair visitantes”, explicou.
Para a artesã Roseane Teixeira Mota, da etnia Sateré-Mawé, as dificuldades estruturais vão além do movimento de vendas. A falta de energia elétrica e de banheiros públicos compromete a produção diária dos artesãos e gera impactos diretos na renda de cada família envolvida.


“É uma alegria estar aqui com nossos parceiros artesãos, mas precisamos de regularização para restabelecer a energia elétrica, o que já está sendo tratado pela nossa associação. A falta de energia nos impede de produzir, e o calor é intenso. Temos encomendas, mas estamos parados. Além disso, não temos banheiros e precisamos pagar R$ 2,00 para usar o de uma loja próxima”, disse.
Gabriellie reforçou ainda a necessidade de ouvir os povos originários. “Somos a resistência. Nunca devemos desistir dos nossos objetivos. Os governantes precisam nos ouvir de verdade, especialmente os povos originários”.

Já Valdemiro concluiu com um apelo direto aos gestores públicos do Amazonas. “Nossos administradores têm feito apenas o básico. Esperamos mais investimentos. Se investirem mais aqui, todos ganham. Dinheiro tem, mas falta fazer”.






