Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O vereador Eurico Tavares (PSD) afirmou que os altos cachês pagos a artistas nacionais no festival #SouManaus Passo a Paço 2025 se explicam pela resistência dos cantores em se apresentarem na capital amazonense.
Segundo ele, fatores logísticos e climáticos fazem com que Manaus se torne um destino pouco atrativo, o que ele chamou de uma “desigualdade” em relação a outras cidades.
As declarações foram dadas durante entrevista ao quadro Jogo Limpo, da Rádio Rios FM, nesta sexta-feira, 29/8.
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‘Eles não querem vir para Manaus’
Durante a entrevista, Eurico relatou que, enquanto empresário do ramo de eventos, sempre enfrentou dificuldades para contratar artistas de renome nacional.
“Eu fico até triste de falar isso, e até entendo os artistas. Eles não querem vir para Manaus. Além de ser quente, eles perdem um final de semana inteiro para fazer um único show aqui”, declarou.
O parlamentar comparou a realidade local com a de estados do Sudeste. “Em São Paulo, o Gustavo Lima faz três, quatro shows em uma noite. A Ivete Sangalo pode fazer dois shows porque se desloca 200, 300 quilômetros de ônibus. Aqui não, aqui eles acabam duplicando ou triplicando o cachê”, explicou.
‘Custo Manaus’
Tavares ainda mencionou o chamado “custo Manaus” — a percepção de que tudo na capital amazonense é mais caro devido à logística. “Logística e conforto fazem diferença. Eles preferem estar perto de casa e, por isso, acabam aumentando os cachês”, concluiu.
Questionado sobre os custos levantados para nomes como Gustavo Lima (R$ 2,5 milhões) Ivete Sangalo (R$ 800 mil), BK’ (R$ 250 mil) e Livinho (R$ 200 mil), Tavares não negou os altos valores.
“Na minha concepção, os valores são caros mesmo. Talvez eu não investisse 100% nisso, mas é muito difícil julgar. Eu que já tive a oportunidade de ver o Gustavo Lima pagando R$ 500 ou R$ 600 no ingresso e a Ivete com ingressos de R$ 300, R$ 400, sei que muitas pessoas não têm condições de pagar. Para elas, isso é um sonho”, disse.
Ele também ressaltou que não acredita que artistas como Ivete ou Gustavo Lima inflacionem seus cachês por má-fé. “Acho muito difícil um artista desse acrescentar no cachê para fazer uma coisa de errado, porque não precisam disso”, afirmou.
Quanto custa o #SouManaus 2025?
O valor previsto para o pagamento dos 20 artistas nacionais anunciados chega a R$ 14,11 milhões — montante que pode crescer com a inclusão dos cachês dos artistas locais.
Segundo o prefeito David Almeida (Avante), entre 80% e 85% dessa quantia será bancada por patrocinadores. Na prática, a Prefeitura pode desembolsar de R$ 2,1 milhões a R$ 2,8 milhões em recursos públicos apenas para os artistas nacionais.
O valor estimado foi obtido a partir de um levantamento realizado pela Rede Rios de Comunicação com base em contratações anteriores e valores de mercado para estimar o total que deve ser investido somente nessas contratações.
O cálculo não inclui despesas com estrutura, logística, artistas locais e demais custos operacionais, o que deve elevar o orçamento final do festival.
Entre os patrocinadores confirmados estão Agibank, O Boticário, Águas de Manaus, Drogarias Santo Remédio, Nova Era, Porto Chibatão, Eneva, Direcional e Moto Honda da Amazônia. Outras seis empresas estão em fase final de negociação.
O evento acontece de 5 a 7 de setembro, com entrada gratuita mediante troca solidária de alimentos.






