Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante entrevista ao quadro Jogo Limpo, da Rádio Rios FM 95.7, nesta segunda-feira, 25/8, o vereador Rodrigo Guedes (PP) analisou o cenário político para as eleições de 2026 no Amazonas, avaliou a possibilidade do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), disputar o governo do Estado, falou sobre a influência do governador Wilson Lima (União Brasil) no processo e comentou os impactos da federação entre o PP e o União Brasil em sua atuação e planos eleitorais.
Sobre uma possível candidatura de David Almeida ao governo, Guedes disse considerar improvável que o prefeito deixe o cargo para disputar a eleição.
“Acho muito difícil, particularmente, o prefeito sair candidato. Só não é impossível, porque na política nada é impossível. Ele sabe que a situação política dele não é tão confortável, e você largar uma máquina pública municipal, dois anos de mandato, para ir numa aventura”, afirmou.
O vereador destacou que a decisão do governador Wilson Lima de ser candidato ou não ao Senado em 2026 será determinante para a formação das chapas e também interfere no futuro vice-governador Tadeu Souza (Avante).
“A última decisão desse tabuleiro é o movimento do governador Wilson Lima, se ele vai sair para ser candidato ou se vai ficar. Se ele sair, o Tadeu assume, senta na cadeira e vira ator nesse processo. Se não sair, aí o Tadeu está fora do jogo e o governador deve ter um candidato ou candidata dele”, explicou.
Na visão de Guedes, David Almeida só virá a disputar a eleição se tiver apoio tanto do governo quanto da Prefeitura, com Tadeu no poder. Assim, ele poderia sair tranquilo do cargo para se candidatar ao governo, contando também com o apoio de Tadeu durante o período eleitoral.
Cenário político
Na avaliação de Guedes, o cenário atual está polarizado entre a professora Maria do Carmo e o senador Omar Aziz. Ele ressaltou a força política de Omar no interior, mas também apontou suas fragilidades em Manaus.
“O Omar tem a vantagem de estar já no mandato há muito tempo e tem relação com prefeitos do interior, dispondo das verbas, principalmente emendas, ele angaria articulações. Mas tem muita dificuldade na capital, tem muita rejeição. Eu acho que ainda está muito aberto o cenário, não está nada decidido”, avaliou.
O vereador também mencionou a possibilidade de novas alianças. “A própria Maria do Carmo pode, de repente, ter uma aliança com o governador Wilson Lima. Ele está bem alinhado com o PL, pode formar um grupo político e isso já muda o cenário das articulações”, ponderou, acrescentando que “tanto Omar quanto Maria, se souberem trabalhar os bastidores, têm viabilidade eleitoral”.
Federação PP-União Brasil e planos eleitorais
Ao ser questionado sobre os impactos da federação entre o PP e o União Brasil, que formou a maior sigla do país, Guedes disse que a união representa força, mas também pode trazer dificuldades.
“O PP, por estar com a União Brasil, forma uma mega força política. A princípio é bom, agora, se eu não tiver problemas como em 2022, que eu não consegui ser candidato a deputado estadual porque o partido nãJ deixou. Fui, entre aspas, forçado a ser candidato a deputado federal, foi uma questão bem política mesmo”, relembrou.
Ele criticou a concentração de poder nas cúpulas partidárias, afirmando que o sistema político brasileiro limita a autonomia de parlamentares. “Os grandes players dominam o cenário político, manipulam os partidos. Se você falar algo que não agrade, o partido pode simplesmente tirar a tua candidatura. Nem juiz, nem a justiça, nem o Alexandre de Moraes pode mudar isso. O sistema amarra os políticos para ficarem dependentes, na mão dos donos dos partidos. Isso é muito ruim”, disse.
Apesar das dificuldades enfrentadas no passado, Guedes não descartou a possibilidade de disputar novamente uma vaga em 2026, caso haja condições partidárias para isso.






