Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um estudo sobre os avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil (Sinisa), divulgado pela Trata Brasil, apontou que Manaus teve poucos avanços em relação ao saneamento básico, tratamento de esgoto e abastecimento de água.
Em 2019, apenas 19% da população tinha acesso ao serviço de esgotamento sanitário. Em 2023, esse número subiu para 30%, mas o ritmo de crescimento ainda é considerado baixo. Os dados foram divulgados no último dia 19/8.
O índice de perdas na distribuição de água continua elevado na cidade. Em 2019, o percentual era de 74%, e em 2023, chegou a 69%. Apesar da redução, o número ainda é alto e indica que boa parte da água tratada não chega às residências, seja por vazamentos, furtos ou falhas na rede da concessionária.
A evolução do tratamento de esgoto em Manaus também foi pequena: em 2019, o índice era de 19,9%, e em 2023, chegou a 22,31%, apresentando um pequeno crescimento.
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Universalização ao acesso à agua
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS ouviu o biólogo e mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Welton Oda, para entender os principais gargalos do saneamento básico na capital.
O especialista afirmou que é importante esclarecer que a água potável não é a mesma coisa que a água tratada. “Quando você tem igarapés limpos e nascentes não contaminadas, elas também são águas potáveis, mas não tratadas”, destacou. “Essas populações históricas estão esquecidas pelo poder público”.

Oda explicou que Manaus está muito atrasada em relação à coleta de esgoto devido à falta de fiscalização ao longo do tempo. A cidade cresceu de forma desordenada, especialmente a partir da década de 90, o que contribui para a carência de infraestrutura. “Apesar dos investimentos, ainda estamos muito atrás. Manaus ainda não tem infraestrutura adequada para toda a cidade”.
Modelo de gestão
O especialista sugeriu que tecnologias e modelos de gestão poderiam acelerar o tratamento de esgoto. Ele mencionou a possibilidade de separação e triagem de resíduos plásticos utilizando tanques em formato de escada, que poderiam ser uma solução simples e de baixo custo para Manaus, dado o volume de resíduos na rede. “Precisamos de estruturas físicas mais eficientes para avançar no saneamento básico”, afirmou Oda.
Perda de água
Welton Oda também apontou problemas relacionados a rompimentos de adutoras, falhas em grandes tubulações responsáveis pelo transporte de água para reservatórios.

Esses problemas podem ocorrer devido ao envelhecimento dos materiais, desgaste causado pelo tráfego ou interferências ambientais. “A concessionária tem sido ineficiente em resolver essa questão de perdas de água”, ressaltou.
Ele afirmou que a privatização do sistema, que ocorreu no passado, trouxe uma ilusão de melhoria. “A população acaba refém da concessionária por causa da omissão do poder público”, disse.
O especialista destacou ainda que o tamanho da população de Manaus e os problemas estruturais em várias áreas da cidade, como energia, saúde pública e segurança, contribuem para a falta de soluções adequadas no setor de água e esgoto. “Manaus é uma cidade adoecida, e não poderia ser diferente no setor de água”, concluiu.
Posicionamento da concessionária
Em nota enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a concessionária Águas de Manaus informou que a pesquisa do Instituto Trata Brasil utiliza dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), com defasagem de dois anos, considerando números de 2023.
A empresa destacou que Manaus é a capital do Norte que mais recebeu investimentos em saneamento entre 2019 e 2023, com um aporte de R$ 1,1 bilhão, o que representa 89% do valor investido em toda a região Norte.
A nota também destaca que, atualmente, Manaus já tem o abastecimento de água universalizado, com cobertura superior a 99% da população. Entre 2019 e 2023, a concessionária implantou mais de 200 km de rede de água em áreas vulneráveis, beneficiando mais de 200 mil pessoas em palafitas, becos e rip-raps.
A concessionária apontou ainda que, em relação ao esgotamento sanitário, a cidade mais que dobrou sua estrutura nos últimos seis anos e deve alcançar aproximadamente 40% de cobertura até o final de 2025. Para os próximos anos, a concessionária prevê investimentos de mais de R$ 2 bilhões, exclusivamente para o setor de esgoto.
Sem resposta
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) para esclarecimentos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto.






