Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Recentes denúncias feitas pelo influenciador digital Felca reacenderam o debate sobre a “adultização” de crianças e adolescentes nas redes sociais, prática muitas vezes consentida pelos próprios pais. A polêmica levanta questões urgentes: como proteger os pequenos dos perigos virtuais e preservar sua saúde mental em um ambiente digital cada vez mais presente no dia a dia?
“Cuidar da segurança digital e da saúde mental na infância e adolescência é investir no futuro. A presença ativa e o diálogo constante são as ferramentas mais poderosas para prevenir riscos e promover um desenvolvimento saudável”, afirmou a psicóloga Selma Gonçalves, especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), em entrevista ao Rios de Notícias nesta terça-feira, 12/8.
No Brasil, ainda não há uma legislação específica voltada para “crianças influenciadoras”. No entanto, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante proteção integral contra qualquer forma de exploração que comprometa o desenvolvimento saudável ou viole direitos. Em casos de exposição excessiva ou exploração indevida, os responsáveis podem ser responsabilizados judicialmente.

Saúde mental e ambiente seguro
Segundo Selma Gonçalves, que atende crianças com TEA na clínica Alcance, localizada no conjunto Morada do Sol, bairro Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus, a saúde mental de crianças e adolescentes é fortalecida quando eles crescem em ambientes seguros, afetuosos e equilibrados. Algumas práticas recomendadas incluem:
- Manter diálogo aberto e acolhedor, validando os sentimentos;
- Garantir rotina equilibrada entre estudo, lazer e descanso;
- Compartilhar momentos de qualidade em família, sem distrações;
- Limitar e supervisionar o uso de telas;
- Observar mudanças de comportamento e buscar apoio profissional sempre que necessário;
- Estimular autoestima e autonomia de forma saudável.
“Conversar sobre a era digital é crucial para preparar crianças e adolescentes para lidar com os desafios e riscos desse ambiente”, pontua a psicóloga.
Os riscos da exposição digital

A internet é um espaço público, e a divulgação de fotos e vídeos de crianças, especialmente sem supervisão, pode gerar riscos como:
- Uso indevido de imagens por criminosos ou pedófilos;
- Roubo de identidade;
- Divulgação involuntária de localização;
- Possibilidade de bullying ou constrangimento no futuro.
“Mesmo com perfis privados, não há garantia de segurança total. Conteúdos podem ser salvos ou compartilhados sem controle, inclusive por capturas de tela”, alerta Selma.
Regras e regulação no ambiente digital
Para proteger a integridade física e emocional das crianças, a especialista recomenda adotar medidas como:
- Definir horários e limites para uso de telas;
- Restringir acesso a aplicativos e jogos inadequados;
- Configurar perfis privados e ativar filtros de segurança;
- Criar momentos livres de tecnologia, como durante as refeições e antes de dormir.
“Essas regras devem ser acompanhadas de explicações claras, para que a criança entenda a importância de cada cuidado”, reforça.

Diálogo e supervisão: a proteção mais eficaz
A combinação de orientação constante e supervisão ativa é a forma mais eficaz de proteção no ambiente digital. É essencial conversar sobre riscos reais, como:
- Exposição à violência;
- Desafios perigosos;
- Automutilação;
- Aliciamento por predadores sexuais.
“Ferramentas de controle parental ajudam a monitorar conteúdos, mas nada substitui o diálogo aberto e a atenção às mudanças de comportamento, que podem ser sinais de alerta”, conclui a psicóloga.






