Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Oito policiais militares e um perito da Polícia Civil do Amazonas foram presos durante a Operação Militia, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM).
A ação investiga a atuação de uma milícia composta por agentes da segurança pública envolvidos em extorsão, uso de veículos com placas frias e ameaças a vítimas ligadas ao setor imobiliário. De acordo com o MP, duas vítimas do grupo criminoso alegaram terem sido extorquidas em R$ 300 mil.
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As prisões foram anunciadas durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, 29/7, em Manaus. Durante a operação, também foram apreendidas armas de fogo, munições e quantias em dinheiro.

Lista dos presos na operação:
- Júlio de Almeida Lima Filho (Tenente da Polícia Militar – aposentado)
- Alerson de Almeida Lima (23ª Cicom)
- Marcílio B. Pantoja (Força Tática)
- André Luiz Silva de Sá (Força Tática)
- Alijhone C. Gouveia (Força Tática)
- Augusto César V. Guimarães (Força Tática)
- João Bosco de Assis Alves (Cavalaria)
- Eldon Nascimento de Sousa (CPA Sul)
- M. A. F. DE A. (Perito da Polícia Civil)
Esquema criminoso
Segundo o promotor Armando Gurgel, as vítimas eram, em sua maioria, pessoas com vínculos no mercado imobiliário ou com familiares que atuavam nesse setor. As abordagens eram feitas por agentes encapuzados, utilizando veículos particulares com placas frias, que simulavam ações policiais sob aparência de uma “atuação social”.
“As investigações mostraram que um dos agentes tinha participação constante, usando sempre o mesmo carro com placa adulterada. A partir da identificação correta do veículo, conseguimos rastrear a atuação desse grupo”, afirmou Gurgel.
O promotor também informou que uma das abordagens gravadas, ocorrida em 14 de dezembro de 2024, foi determinante para o avanço das investigações. “Conseguimos identificar vítimas que inicialmente não tinham coragem de denunciar, mas colaboraram com o processo”, explicou.
As investigações continuam e, segundo o MP-AM, há outros envolvidos ainda sob apuração, com possibilidade de novas denúncias nos próximos dias.
Perito é solto
De acordo com o Ministério Público, um perito da Polícia Civil – preso junto com os policiais militares – foi colocado em liberdade após prestar depoimento e colaborar com as investigações.
“A prisão temporária tem justamente essa função: permitir que sejam realizadas diligências que exigem o afastamento do investigado, em um ambiente de custódia controlada. Essas medidas foram executadas com sucesso e houve significativa colaboração por parte do perito, o que fez cessar o interesse da manutenção da custódia”, explicou o promotor.
Polícias se posicionam
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Klinger Paiva, afirmou que a corporação não compactua com condutas criminosas por parte de seus integrantes. “Trabalhamos em conjunto com o Ministério Público e com os órgãos de controle. Não há indícios de envolvimento de oficiais superiores ou outras autoridades públicas nesse caso”, garantiu.
Em nota à reportagem, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que “não compactua com quaisquer desvios de conduta e todas as providências cabíveis já estão sendo adotadas para apurar os fatos”.






