Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A estabilidade financeira, sonho recorrente entre jovens adultos, tem se tornado um desafio cada vez mais distante. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que mais de 70% dos brasileiros entre 20 e 34 anos vivem em condições de dependência econômica — seja morando com os pais ou em habitações temporárias, como repúblicas e quitinetes.
Essa dificuldade em conquistar independência financeira está diretamente relacionada ao descompasso entre a renda média e o custo de vida. Nos últimos anos, o valor de bens como imóveis e automóveis acumulou alta superior a 40%, enquanto os salários seguem estagnados. Com isso, adquirir casa ou carro próprio deixou de ser uma meta acessível para grande parte da juventude.
Aluguéis e salários: um desequilíbrio crescente
A defasagem salarial e a elevação constante nos preços do aluguel são fatores centrais na dificuldade enfrentada pela nova geração. Dados do Dieese reforçam que os jovens hoje concentram seus esforços em garantir o básico: pagar contas essenciais, quitar dívidas e manter o mínimo de estabilidade.
Em vez de investir em bens duráveis, como era comum em gerações anteriores, muitos jovens priorizam estratégias de sobrevivência. Para boa parte deles, manter-se fora da inadimplência já é considerado uma conquista.
Inflação e custo de vida em São Paulo
A situação se agrava quando se observa o aumento do custo de vida nas grandes cidades. Segundo o Dieese, o custo de vida em São Paulo aumentou 0,14% entre maio e junho de 2025, acumulando alta de 2,93% no ano e 4,18% nos últimos 12 meses.
Os setores que mais pressionaram o orçamento familiar foram:
- Educação e Leitura: alta de 6,82%;
- Alimentação: aumento de 6,81%, com destaque para:
- Alimentação fora de casa: 10,90%, com lanches (11,17%) e refeições principais (10,79%);
- Café: 87,03% de aumento;
- Óleo de soja: 20,62%;
- Transporte: crescimento de 6,45%, impulsionado por:
- Transporte coletivo: 7,95%;
- Transporte individual: 5,79%, com elevação em peças (6,25%), operação do veículo (5,74%) e acessórios (4,44%);
- Despesas pessoais: variação de 5,95%, com altas em cigarros (17,38%) e itens de higiene e beleza — serviços (5,39%) e produtos (3,96%).
Esses dados reforçam como o aumento generalizado dos preços afeta diretamente o orçamento de jovens adultos, sobretudo aqueles que estão no início da vida profissional ou em empregos informais.
Realidade imposta substitui planos de longo prazo
Conforme a pesquisa, com um cenário de instabilidade econômica, crescimento do endividamento e renda comprometida, muitos jovens brasileiros deixam de lado planos como a compra da casa própria, viagens ou especializações.
No lugar desses projetos, crescem os esforços para se manterem financeiramente ativos, mesmo que sob condições precárias.






