Redação Rios
MANAUS (AM) – No próximo domingo, 20/7, às 16h, será realizada uma oficina de lambe-lambe na Praça Mindu Norte (próximo ao Comercial Gavião), no bairro Novo Aleixo, zona Norte de Manaus. A atividade é gratuita, aberta a pessoas de todas as idades, e tem como foco principal crianças e adolescentes que brincam de papagaio no pipódromo da região.
A oficina será conduzida pela poeta Paloma Silva, do projeto Poetisa.te, e pelo artista visual Rafael Antônio, do coletivo Maniwara. Durante a atividade, os participantes irão conhecer a técnica de lambe-lambe, manusear imagens e criar, juntos, um painel visual a ser colado em um dos muros da praça.
“Queremos que as crianças se reconheçam nesse território e na brincadeira que é delas. A proposta é que elas não só participem da colagem, mas também ajudem a construir o mural com imagens que representam suas vivências”, afirma o fotógrafo e pesquisador de Antropologia Visual, Alonso Junior.
Documentar o céu e o chão das periferias
A ação integra a contrapartida do projeto “De Cara Pro Céu”, idealizado por Alonso Junior, que registrou, ao longo dos últimos três anos, a prática de empinar papagaio nas zonas periféricas da cidade. Ele percorreu as zonas Norte, Leste, Oeste, Centro-Oeste e Centro-Sul da cidade, mergulhando na rotina dos brincantes e documentando as relações sociais em torno da prática de soltar papagaio.

Foram dez meses de campo, com dois meses dedicados a cada zona. Entre os locais registrados estão a Arena LV, no Lírio do Vale; a balsa do São Raimundo; a Avenida Borba; e a Arena Banana, espaço próximo ao Estádio Vivaldo Lima, que recebeu esse nome em homenagem a um antigo brincante da área.
“Esses espaços são campos de encontro. A pipa é o motivo, mas o que acontece ali vai muito além: tem troca, tem respeito, tem comunidade”, diz Alonso.
Lambes espalhados pelos territórios
Além da oficina, o projeto inclui a colagem de lambes com fotografias nos cinco territórios visitados.
“A ideia é devolver essas imagens para os lugares onde elas foram feitas, criando uma conexão entre o registro e o espaço”, afirma Alonso.

As colagens serão realizadas nas regiões visitadas por Alonso. Para o fotógrafo, a ação busca fortalecer o pertencimento dos moradores e valorizar suas vivências.
“Temos muita potência nesses territórios. A fotografia pode ser um meio de devolução simbólica, de reconhecimento e de valorização de quem está ali todos os dias olhando para o céu”, conclui.
*Com informações da Assessoria






