Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Dia Mundial do Rock, comemorado neste domingo, 13/7, é mais que uma data no calendário musical — é um símbolo da rebeldia criativa, da crítica social e da paixão de milhões de fãs pelo gênero que atravessa gerações.
No Brasil, o rock segue pulsando em palcos independentes, garagens e estúdios improvisados, mesmo fora dos holofotes da grande mídia.
A origem da data remete ao histórico “Live Aid”, realizado em 13 de julho de 1985, um megashow beneficente que reuniu lendas como Queen, U2 e David Bowie para arrecadar fundos contra a fome na África. Desde então, a data foi adotada especialmente no Brasil como uma celebração à força cultural do rock.
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Apesar de não ser mais o ritmo dominante nas rádios e playlists, o rock segue vivo — e em constante transformação. O gênero encontra espaço em festivais alternativos, no ambiente digital e principalmente no trabalho autoral de músicos que resistem às tendências e continuam usando a música como forma de expressão e crítica.
O rock continua novo
Para Márcio Aguiar, guitarrista, mestre e professor de Música da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a data representa um marco da liberdade artística.
“Foi escolhida essa data para marcar todo o movimento que surgiu, que ainda existe e que ainda resistirá por muito tempo. O rock é uma forma de se expressar, de protestar, de refletir […] e estamos aí ouvindo e apreciando os novos artistas que vêm se revelando a partir do rock”.
Ele acredita que a renovação constante é uma das forças do gênero. “O rock continua novo. Historicamente, a cada fase — desde os anos 50, que tinha uma característica — quando vem para os anos 60, uma nova característica, nos anos 70, 80… então, a cada década, o rock se renova. Ele vem adquirindo outros subgêneros, outros estilos, de acordo com a juventude, com como essas novas gerações pensam, com como elas vivem, com como elas se conectam com o mundo. O rock sempre tem essa característica jovial.
Essa conexão com a juventude também se expressa na resistência. Márcio lembra que o rock nasceu de movimentos como o blues e o rockabilly, ganhou força nos anos 60 e se consolidou como um grito de inconformismo.
“O rock acabou revelando grandes artistas, músicos, compositores, letristas, e fez a diferença na forma de pensar, na forma de agir, na forma de se posicionar. Ainda é um motivo de contestação, de reflexão, é uma forma de falar, de se posiciona”, disse Márcio Aguiar.


Mônica Paz: ‘Falta apoio para o autoral’
A vocalista da banda de heavy metal Solymon, Mônica Paz, compartilha dessa visão crítica e acredita que o gênero ainda é uma forma de resistência. “Eu acredito que sim, que ele é um gênero musical de resistência. Quando ele é feito com seriedade, por mentes pensantes com conteúdos que possam gerar protestos plausíveis e reais para a sociedade acordar”.
Ao falar sobre o futuro do gênero, especialmente em Manaus, Mônica faz uma crítica ao comportamento do público e à falta de apoio institucional. “O que está faltando é apoio para o artista autoral. O público local curte muito cover, mas apoia pouco o que é realmente artístico e criativo. Falta apoio da Secretaria de Cultura, sem panelinhas, sem favorecimento. O rock local precisa de espaço para crescer.”
Mesmo diante das dificuldades, os artistas que mantêm viva a cena local demonstram paixão e comprometimento. Eles seguem compondo, tocando, resistindo — seja nos palcos de casas pequenas, nas redes sociais ou nos ensaios dentro de garagens.
Neste 13 de julho, o Dia Mundial do Rock é, mais uma vez, um lembrete de que o gênero não morreu — apenas se reinventa. E segue sendo, para muitos músicos e fãs, uma válvula de escape e um grito de liberdade.






