Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A condição do fornecimento de energia elétrica ainda é um gargalo no Amazonas. Apenas a capital amazonense e seis municípios do interior são integrados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O restante depende diretamente de usinas termelétricas, mais caras e poluentes, que fazem parte dos Sistemas Isolados. Além deste dois sistemas de fornecimento de energia, há uma parcela da população sem qualquer acesso à energia elétrica. No Amazonas, 140 mil pessoas vivem em total apagão.
Logo atrás de Roraima (único Estado brasileiro não integrado ao SIN), o Amazonas é o segundo no país com o maior número de municípios dependentes dos Sistemas Isolados.
No total, 56 dos 62 municípios amazonenses não estão integrados no Sistema Interligado Nacional, o qual fornecesse energia limpa e renovável por meio de usinas hidrelétricas. Somente Manacapuru, Presidente Figueiredo, Itacoatiara, Parintins, Iranduba e Manaus são conectados ao Sistema Interligado Nacional.

O número de municípios do Amazonas integrados ao SIN era ainda menor antes da recente incorporação dos municípios de Parintins e Itacoatiara ao sistema. A integração aconteceu em 4 e agosto deste ano por meio do Programa “Luz para Todos”, reinaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Parintins, antes da interligação, era abastecido pela usina termelétrica alimentada à diesel. O consumo anual do combustível chegava 45 milhões de litros.
A falta de energia elétrica também ainda é uma realidade no Amazonas. Conforme a concessionária Amazonas Energia, cerca de 140 mil pessoas não têm acesso à eletricidade. Um dos fatores para a falta de energia elétrica, de acordo com a empresa, é o difícil acesso à comunidades isoladas.
“A rede elétrica em determinadas comunidades é no meio da floresta, algumas com acesso somente fluvial, por meio de embarcações. O Amazonas é uma região que ocorre fortes temporais com rajadas de ventos e descargas atmosféricas, o que consequentemente danifica a rede com galhos e árvores sobre a rede elétrica, fato este que devido a regiões isoladas, leva um tempo de deslocamento maior para atendimento das ocorrências”, disse a concessionária ao portal RIOS DE NOTÍCIAS.
A Amazonas Energia realiza constantemente nas localidades do interior o serviço de a limpeza da faixa de servidão. Este tipo de serviço consiste na retirada de vegetação no trajeto da rede de distribuição de energia que fornece energia elétrica para as comunidades.
A exclusão dos municípios do Amazonas do SIN também se repete em outros Estados do Norte do país. Apesar da Amazônia Legal produzir cerca de 26% da energia consumida em todo o Brasil, a região é a que menos recebe energia do Sistema Interligado Nacional, com 14% da população fora do SIN. Os dados fazem parte do levantamento realizado pela Empresa de Pesquisa em Energia (EPE).
Sistema poluente
As vantagens do SIN são maiores em comparação aos Sistemas Isolados e perpassam pela confiabilidade de uma distribuição de energia sem tantas interrupções e limpa. Já os Sistemas Isolados utilizam combustíveis fósseis que emitem gases poluentes para a atmosfera.
Conforme a pesquisa da Climate Policy Iniciative e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), de 2022, os Sistemas Isolados também geram energia mais custosa em comparação ao SIN, em razão do insumo ser o óleo diesel. A geração de energia por meio do Sistema é pago por todos os consumidores por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), presente na conta de luz.
“Quanto maior o consumo de óleo diesel nos Sistemas Isolados – e quanto maior o número de Sistemas Isolados –, mais os consumidores de todo o país gastam para subsidiar o consumo de energia nos Sistemas Isolados”, diz o estudo.
Novas integrações e Sistemas de Isolados
Conforme a Amazonas Energia, os estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) definem as interligações ao (SIN). A previsão da concessionária é que os municípios Silves, Itapiranga e Humaitá sejam integrados ao sistema nacional de energia elétrica.
Com o anúncio do novo Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o Governo Federal estima investimentos direcionados à extensão de redes do SIN e novos Sistemas de Isolados no Amazonas. Por meio do Programa Luz para Todos, as obras de extensão de redes vão beneficiar 16.874 famílias, enquanto novos Sistemas de Isolados vão alcançar 32.922 famílias.






