Júlio Gadelha – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – Com um espetáculo de tirar o fôlego, o Boi Caprichoso abriu a segunda noite do 58º Festival Folclórico de Parintins neste sábado, 28/6, na arena do Bumbódromo, sob o subtema “Kizomba: Retomada pela Tradição”.
A apresentação foi uma verdadeira ode à ancestralidade, à resistência dos povos amazônicos e à memória coletiva que pulsa nas veias da Ilha Tupinambarana.
Misturando emoção, tecnologia e a força da tradição, o azul e branco levou à arena três alegorias monumentais que encantaram o público e elevaram ainda mais o nível da disputa pelo tão sonhado tetracampeonato.

Leia também: Edição especial do Jornal Rios de Notícias é distribuída gratuitamente em Parintins
Logo no início, a toada Poranduba anunciou a chegada da Sinhazinha Valentina Cid, que emergiu sobre uma vitória-régia e conquistou o público com sua doçura e elegância. Em seguida, brilhou o item da Figura Típica Regional, retratando os marandoeiros e marandubas – contadores de histórias e guardiões das lendas da floresta, que mantêm vivas as crenças e saberes dos povos originários.
Um dos momentos mais impactantes foi a entrada da alegoria do lendário Sacaca Merandolino, o Encantador de Arapiuns, cuja narrativa levou o público às profundezas da Amazônia, onde peixes o acompanhavam e a lenda da cobra-grande ganhava vida em uma imensa serpente cênica, deslizando na arena como um rio encantado.
Na sequência, em um “voo” arrebatador, a Rainha do Folclore Cleice Simas foi içada ao céu pelo guindaste do boi, em uma das alturas mais impressionantes do festival. “Teve gente passando mal, desmaiando, os bombeiros precisaram atuar na arena”, descreveu Keynes Breves, apresentador da Rádio Rios FM. “Foi um momento que tirou o fôlego da galera”.

O ritual indígena também foi destaque. Com o tema “Musudi Munduruku – A Retomada dos Espíritos”, o Caprichoso fez uma potente denúncia sobre a profanação do cemitério sagrado dos guerreiros Munduruku, violado pela construção da hidrelétrica de Teles Pires, na divisa entre Pará e Mato Grosso.
A performance, assinada pelo jovem artista Kennedy Prata – egresso da Escola de Artes do Caprichoso – e protagonizada pelo pajé Eric Beltrão, emocionou o público com sua força simbólica.
Segundo Keynes, “a apresentação foi arrebatadora, consolidando o Caprichoso como um boi que elevou a régua artística do festival”. Ele ainda destacou nomes como o amo do boi, Caetano Medeiros, que “confrontou com carisma e segurança o amo contrário”, e a Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque, “com uma apresentação coreográfica belíssima”.
Outro ponto alto da noite foi a performance da Marujada de Guerra, agora sob o comando de Caio Vinícius, um jovem de apenas 21 anos de Manaus, que vem sendo amplamente reconhecido em Parintins por seu talento e liderança.






