Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Prevista para ser entregue nesta segunda-feira, 16/6, a obra do Complexo Viário Rei Pelé, localizado na zona Leste de Manaus, acumula polêmicas desde o início. Com alterações no projeto original, atrasos na execução e pelo menos três mortes registradas após a liberação parcial da estrutura, a obra é alvo de críticas da população e especialistas.
Desde que a alça viária superior foi liberada ao tráfego, em agosto do ano passado, a construção recebeu o apelido de “viaduto Saci”. O motivo: o trecho começa com duas faixas e se estreita para apenas uma na saída, o que gerou revolta entre motoristas e moradores, que apontam problemas de mobilidade e riscos à segurança.
A ordem de serviço para a construção do viaduto foi assinada no dia 3 de janeiro de 2023, com investimento de R$ 80,8 milhões. Na ocasião, a prefeitura informou que os serviços começariam no dia seguinte, com entrega prevista para julho de 2024.
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População critica execução da obra
Para a feirante Daiane Silva, a expectativa pela melhoria no trânsito deu lugar à frustração. Segundo ela, o acesso à Feira do Produtor, uma das principais da zona Leste, foi dificultado após a intervenção viária.
“É bem decepcionante. Se é prometido uma coisa, a gente espera que entreguem o que foi prometido. Já que não conseguiram fazer o planejado, que pelo menos terminem logo, mas com qualidade. Tudo isso está sendo feito com o dinheiro da população”, disse.


O comerciante Valdeci Rodrigues compartilha da mesma insatisfação. Ele duvida que a entrega oficial prevista para segunda-feira signifique, de fato, a conclusão da obra.
“Vai ser bom para quem tem carro. Agora, para nós, pedestres, ficou difícil até de atravessar. Tiraram o semáforo e não colocaram uma faixa de pedestre. Está um perigo. A Prefeitura precisa tomar alguma providência”, cobrou.
Nas redes sociais, moradores também criticam a discrepância entre o projeto divulgado inicialmente e o resultado entregue. “Onde estão os órgãos públicos de fiscalização? Quanta decepção. Fomos todos enganados”, desabafou um internauta ao comparar imagens da planta original com o cenário atual.
Alterações e ‘interferências’
Anunciada como uma das “maiores intervenções viárias da cidade”, a obra teve início em novembro de 2022, com a promessa de oferecer até 16 sentidos diferentes de tráfego. No entanto, o projeto foi simplificado.
De acordo com o vice-prefeito Renato Júnior, “interferências técnicas” motivaram as mudanças. “Temos ali um lençol freático, redes de alta tensão e uma subestação de energia. Por isso, o projeto precisou ser readequado, mesmo tendo sido desenvolvido pelos melhores projetistas do Brasil”, justificou ele, há duas semanas.


Acidentes e mortes
Desde a liberação parcial da estrutura, pelo menos três acidentes fatais foram registrados no local. O caso mais recente ocorreu em maio deste ano.
Em entrevista ao Portal Rios de Notícias, o engenheiro de trânsito Manoel Paiva demonstrou preocupação com a falta de medidas de segurança na área da Bola do Produtor, sugerindo intervenções para evitar novas tragédias.
“Não se trata apenas de imprudência dos condutores. É preciso barreiras físicas, estrutura adequada. A segurança viária deve proteger tanto pedestres quanto motoristas. Aquela é uma área de intenso movimento comercial”, alertou Paiva.


Prefeito minimiza responsabilidade
Diante da repercussão negativa, o prefeito David Almeida comparou os acidentes no viaduto às pessoas que tiram a própria vida ao se jogar da Ponte Rio Negro.
“Eu não vou culpar a ponte porque alguém se jogou dela. Agora, esse cidadão sobe numa moto para colocar a própria vida e a dos outros em risco. Isso é lamentável”, disse, no início de junho.
O prefeito prometeu instalar redutores de velocidade no complexo viário e afirmou que pretende adotar medidas inspiradas em leis de trânsito dos Estados Unidos para melhorar a segurança na capital.






