Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Ainda abalada com a perda do esposo, o renomado sambista Paulo Onça, Simone Andrade concedeu uma entrevista emocionada à imprensa na tarde desta segunda-feira, 26/5, em frente ao Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), onde o artista faleceu após cinco meses de luta pela vida.
No momento da entrevista, Simone revelou que ainda não havia conseguido entrar no hospital para receber mais informações sobre o falecimento do marido.
“Estou falando aqui, mas ainda não caiu a ficha. Quero que todo mundo leve ele no coração, porque ele foi uma referência que lutou e trouxe o samba para a gente conhecer em Manaus. Essa nova geração do samba tem que reverenciar mesmo [Paulo Onça]. Agradeço o carinho de todos. Ele lutou, ele foi um guerreiro até o último suspiro”, declarou, emocionada.
Clamor por justiça
Muito abalada, Simone pediu justiça pela agressão sofrida pelo marido em dezembro do ano passado, que resultou em sua internação e, posteriormente, no falecimento.
“Ele levou uma pancada muito forte na cabeça. Foi um guerreiro, lutou muito para viver. Vou atrás de justiça por ele, isso não vai ficar impune, não por mim, mas por ele”, afirmou a viúva.
O falecimento do sambista mobilizou as redes sociais com inúmeras homenagens e pedidos por justiça.
“Paulo Onça era um querido! Super divertido e sempre tratava todo mundo bem. Que ele faça uma boa passagem e que a justiça seja feita”, escreveu um internauta.
“Meu Deus, foi um guerreiro, lutou até o último momento. Descanse em paz”, lamentou outro.
Já outros comentários cobravam punição ao agressor. “Agora o ‘Bacana’ vai responder por homicídio?”, questionou um internauta. “Tomara que o bandido fique anos na cadeia, pegue a pena máxima” e “Que o culpado pela agressão brutal não fique sem a devida punição”, afirmaram outros.
Violência no trânsito
Paulo de Melo Israel, mais conhecido como Paulo Onça, foi vítima de um episódio brutal de violência no trânsito em dezembro de 2024. Ele colidiu com o carro do empresário Adeilson Fonseca, conhecido como “Bacana”, após passar um sinal vermelho no bairro Praça 14 de Janeiro, zona Sul de Manaus.
Após o acidente, o empresário desceu do veículo e agrediu violentamente o sambista com um golpe na cabeça. Paulo foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado em estado grave para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, onde permaneceu internado por meses, até ser transferido recentemente para o HUGV.
Nota de pesar
Em nota oficial, o Governo do Amazonas lamentou profundamente a morte do compositor.
“O Governo do Amazonas lamenta, com profundo pesar, o falecimento do compositor amazonense Paulo Juvêncio de Melo Israel, o Paulo Onça, nesta segunda-feira (26/05), aos 63 anos. O sambista estava internado desde o dia 5 de dezembro, em Manaus, após agressão durante um acidente de trânsito.
Carreira
Paulo Onça deixa um legado marcante na cultura popular brasileira, especialmente nos desfiles das escolas de samba. Dono de versos que emocionaram multidões, ele assinou sambas memoráveis, entre eles o enredo da Acadêmicos da Grande Rio em homenagem à cantora Ivete Sangalo, em 2017 — uma obra registrada como um dos momentos mais celebrados do Carnaval carioca.
O primeiro grande sucesso do compositor foi o samba-enredo ‘Nem Verde e Nem Rosa’, que levou a Escola de Samba Vitória Régia ao título de campeã do carnaval manauara em 1990.
Ao longo de sua trajetória, escreveu mais de 130 músicas e teve suas composições interpretadas por grandes ícones da música brasileira, como Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e o grupo Exaltasamba, reafirmando sua importância e respeitabilidade no cenário nacional.






