Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Vítimas de violência doméstica passam muito tempo buscando evitar denunciá-la para assegurar a sua própria segurança. De acordo com especialistas, essas mulheres acabam intercedendo por seus agressores por medo, vergonha ou falta de recursos financeiros, sempre esperando que a violência acabe.
Nesta semana, o cantor Diego Damasceno, 29, foi solto após ser absolvido da acusação de lesão corporal no contexto de violência doméstica contra a companheira, Kaline Milena Santana Oliveira, de 30 anos. O suspeito chegou a fraturar três dentes da vítima durante a agressão.
Um dos fatores determinantes para o desfecho do caso foi a mudança nas declarações da vítima ao longo do processo, em que o Portal RIOS DE NOTÍCIAS teve acesso. Inicialmente, Kaline relatou à polícia que havia sido agredida por Diego com socos e murros.
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Posteriormente, a vítima apresentou uma nova versão dos fatos, assumindo ter omitido informações relevantes e afirmando que o ferimento ocorreu após uma troca de agressões mútuas. Ela pediu pela revogação das medidas protetivas e pela soltura do suspeito.
O caso de grande repercussão chocou a população manauara e a mudança de versão indignou alguns internautas que minimizaram a violência por ela sofrida. Para buscar entender a influência do aspecto psicológico nestes casos, o riosdenoticias.com.br conversou com a psicóloga Déborah Santos, colunista da Rede Rios de Comunicação.
“Mulheres permanecem em relações abusivas não por fraqueza, mas por uma distorção emocional: confundem controle com zelo, ciúmes com paixão, violência com intensidade. Isso vem de um histórico de abandono, da ausência de adultos emocionalmente disponíveis, que nos fizeram acreditar que amor exige sofrimento”, destacou a profissional.

Para a profissional, as redes sociais amplificam esse cenário, com a exposição da dor surgindo como um “grito desesperado” por uma solução que nunca chegou dentro de casa ou uma forma de tentar resolver o que emocionalmente ainda não consegue nomear.
“Por isso, sim, a gente mete a colher. Porque por trás de uma mulher que permanece em um relacionamento abusivo, muitas vezes há uma criança ferida tentando sobreviver no corpo de uma adulta. Mas existe saída. Existe cura. Existe vida depois da dor”, reforçou Santos.
Revitimização
Por meio de nota, a delegada Patrícia Leão, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (Deccm), esclareceu que repudia veementemente a superexposição de vítimas de violência doméstica, especialmente em casos que tramitam sob segredo de Justiça.
“É dever desta Instituição [Polícia Civil do Amazonas] zelar pela dignidade e integridade das vítimas, conforme estabelece a Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), que prevê medidas para evitar a revitimização de mulheres em situação de violência”, ressaltou a titular.

Manaus possui três Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher (DECCM), voltadas exclusivamente para combater a violência doméstica e outros crimes praticado contra as mulheres. Uma das unidades funciona 24 horas por dia.
- DECCM da avenida Mário Ypiranga Monteiro, bairro Parque Dez de Novembro – funciona 24h por dia;
- DECCM da rua Desembargador Felismino Soares, 155, bairro Colônia Oliveira Machado – funciona de 8h às 17, de segunda a sexta;
- DECCM da avenida Nossa Senhora da Conceição, bairro Cidade de Deus – funciona de 8h às 17, de segunda a sexta.
Os policiais podem ser acionados pelo número 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), ou pelo 180, da Central de Atendimento à Mulher. Denúncias de violência doméstica podem ser realizadas também no site da Delegacia Virtual.






