Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Mesmo sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma ainda é desconhecido por grande parte da população. De acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), 41% dos brasileiros não sabem o que é essa doença ocular.
Muitas pessoas perdem a visão sem sequer perceber, por isso o glaucoma é considerado um inimigo silencioso. A doença evolui de forma assintomática e, se não for diagnosticada a tempo, pode causar cegueira irreversível.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o oftalmologista e especialista em doenças oculares como catarata e glaucoma, Dr. Cavalcanti Jr., explica um pouco mais sobre a enfermidade:
“O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo, ou seja, vai levar à cegueira. Na maioria das vezes, é uma doença silenciosa e o principal fator de risco é a pressão ocular elevada, que é produzida no próprio olho. Ela tem um destino para ser drenada, mas esse líquido, quando não drenado, vai em direção ao nervo e, quando supera o valor de 21, automaticamente as pessoas se tornam hipertensas oculares”, afirma o especialista.
Com o objetivo de alertar sobre o problema, foi criado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, celebrado em 26 de maio. A data integra a campanha Maio Verde, voltada à conscientização sobre a saúde ocular.
O glaucoma é uma condição crônica e progressiva que danifica o nervo óptico, principalmente devido ao aumento da pressão intraocular. Na maioria dos casos, quando os sintomas se manifestam, a visão já está severamente comprometida.
Entre os sinais que não podem ser ignorados estão: visão embaçada, perda de visão periférica, halos ao redor das luzes e dor nos olhos.
Pessoas com mais de 40 anos, histórico familiar da doença, alto grau de miopia, diabetes, hipertensão ou uso prolongado de corticoides estão em maior risco e devem redobrar a atenção.
No vídeo, o Dr. Cavalcanti Jr. enfatiza os cuidados necessários com relação ao glaucoma:
“Por isso, história familiar com glaucoma, idade acima de 40 anos, pressão ocular elevada, uso de corticoides — uso abusivo para processos inflamatórios —, cirurgias oculares prévias, trauma ocular, diabéticos e até hipertensos são pessoas predispostas a desenvolver. Mas o diagnóstico é com a gente, é com o médico oftalmologista especialista em glaucoma”, destaca o especialista.
O diagnóstico pode ser feito por meio de exames oftalmológicos detalhados, como a medição da pressão intraocular, o exame de fundo de olho e o teste de campo visual.
Embora a perda de visão provocada pelo glaucoma seja irreversível, o tratamento — com colírios, laser ou cirurgia — pode ajudar a controlar a progressão da doença.
A campanha Maio Verde reforça o alerta: quem apresenta fatores de risco não deve esperar pelos sintomas. Qualquer alteração na visão exige a procura imediata por um oftalmologista. Além disso, é fundamental realizar consultas regulares, mesmo na ausência de sinais.
Entretanto, a realidade do atendimento público é preocupante. Segundo dados de 2025 do Sistema de Regulação (Sisreg), o tempo médio de espera para uma consulta oftalmológica no Sistema Único de Saúde (SUS) é de 83 dias. O estado com maior tempo de espera é o Distrito Federal, com uma fila que chega a 185 dias.
Esse cenário revela como a demora no acesso à saúde ocular no serviço público gera atrasos significativos e pode provocar prejuízos irreversíveis para quem precisa de diagnóstico e tratamento.
Segundo dados de 2024 do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 1,7 milhão de pessoas vivem com glaucoma no Brasil. Estimativas indicam que 2% da população acima de 40 anos podem apresentar a doença.






